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Economia

Selic em 14% mantém renda fixa pós-fixada atrativa

Segundo especialistas, quarto corte consecutivo da Selic preserva a vantagem de investimentos atrelados à própria taxa básica ou ao CDI

Redação Jornal de Brasília

05/08/2026 18h52

Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS


A decisão do Copom de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para 14% ao ano mantém a renda fixa atrativa, com destaque para títulos pós-fixados e indexados à inflação.

Para especialistas ouvidos pela Folha, o quarto corte consecutivo da Selic preserva a vantagem de investimentos atrelados à própria taxa básica ou ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), sua referência no mercado privado.

Analistas também seguem recomendando títulos indexados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), cujos juros reais continuam em patamar considerado elevado.

Marcelo Freller, estrategista de produtos de investimento do C6 Bank, afirma que a estratégia de alocação praticamente não muda com a nova redução da Selic.

“Os pós-fixados devem continuar apresentando bom desempenho, com baixa volatilidade, em um ambiente de Selic elevada por mais tempo. Eles seguem sendo a nossa principal preferência de investimento”, afirma.

Os títulos pós-fixados acompanham a Selic ou o CDI, o que reduz a sensibilidade às oscilações de curto prazo da taxa básica.

Segundo levantamento do C6 Bank, o Tesouro Selic com vencimento em 2028 deve oferecer retorno real líquido de 6,84% -já descontados o Imposto de Renda e a inflação projetada- considerando uma aplicação de um ano.

“O pós-fixado é o indexador mais conservador dentro da renda fixa. Quem compra um Tesouro Selic, por exemplo, está investindo no título mais seguro da economia brasileira. Mesmo com a redução de 0,25 ponto percentual e os cortes das últimas reuniões, os juros continuam em um patamar muito elevado”, diz Vinicius Romano, coordenador de investimentos da Suno Consultoria.

Outro investimento que continua atraente, segundo os analistas, é o indexado ao IPCA. Esses títulos remuneram o investidor pela inflação acumulada acrescida de uma taxa prefixada de juros.

Nesta quarta-feira (5), o Tesouro Direto oferecia títulos IPCA+ com juros reais superiores a 8% ao ano. O papel com vencimento em 2032, por exemplo, pagava inflação mais 8,13%. De acordo com o C6 Bank, um CDB atrelado ao IPCA com prêmio de 8,20% ao ano proporciona retorno real líquido de 6,06%, considerando uma aplicação de um ano.

“É uma classe de ativos interessante, principalmente pelo nível bastante elevado dos juros reais. Desde que os títulos IPCA+ passaram a oferecer taxas próximas de 6,5% ao ano, a recomendação tem sido de compra. De lá para cá, esse patamar só aumentou, atingindo, em alguns vencimentos, um dos maiores níveis observados nas séries históricas”, afirma Romano.

O prazo do investimento, porém, altera o risco da aplicação. Títulos de vencimentos mais longos ficam mais expostos à marcação a mercado -a variação do preço do papel antes do vencimento- caso o investidor precise resgatar o recurso antecipadamente.

“Os vencimentos mais longos são mais sensíveis ao risco fiscal. Já os títulos de prazo mais curto podem ser uma boa alternativa, considerando a expectativa de inflação mais elevada nos próximos anos”, diz Freller, do C6.

Fora da renda fixa, a redução da Selic também tende a beneficiar a renda variável. “Juros em queda aumentam a atratividade dos ativos da Bolsa e podem representar uma boa oportunidade para o investidor ampliar a exposição”, afirma Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

Segundo ela, a queda dos juros também reduz o custo da dívida das empresas e tende a estimular o consumo. “Esse efeito é especialmente positivo para setores mais sensíveis ao crédito, como varejo, imobiliário e small caps”, diz.

No acumulado do ano, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, sobe 10,8%, enquanto o índice de small caps, que reúne empresas de menor valor de mercado, recua 3,9%.

“Há espaço para valorização das small caps, que não acompanharam o desempenho das blue chips. Se houver avanço na agenda fiscal, principalmente pelos efeitos sobre a trajetória dos juros, acreditamos que esse segmento pode apresentar um desempenho bastante interessante”, afirma Vinicius Romano, da Suno Consultoria.

Pelas projeções do Boletim Focus desta segunda (3), a Selic deve encerrar 2026 em 13,75% ao ano, o que implica mais um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao patamar atual.

O relatório também prevê que o IPCA termine o ano em 5,03%, acima do teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central), de 4,5%. O centro da meta é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

As perspectivas para a inflação e os juros no Brasil seguem influenciadas pelo cenário externo, marcado pelas incertezas em torno da guerra entre EUA e Irã e pelos riscos de novos choques nos preços da energia.

“Mesmo que o Brasil esteja em um ciclo de afrouxamento monetário, o cenário não está livre de choques inflacionários, que podem levar o Copom a interromper o ciclo de cortes de juros”, afirma Paula Zogbi.

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