MARCELO TOLEDO
FOLHAPRESS
A produção de laranja cresceu no principal polo citrícola do mundo, formado por São Paulo e Triângulo/Sudoeste mineiro, mas problemas climáticos e o avanço da principal doença dos pomares fizeram com que a safra 2025/26 terminasse 6,9% abaixo do previsto há um ano.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura), em Araraquara (a 273 km de São Paulo).
A safra terminou com produção total de 292,94 milhões de caixas de 40,8 quilos da fruta, 26,9% mais que a safra 2024/25, que alcançou 230,87 milhões de caixas.
A projeção inicial, feita em maio do ano passado pelo Fundecitrus, era de que a produção alcançasse 314,60 milhões de caixas, mas o déficit hídrico registrado nos últimos 12 meses nas regiões produtoras e a incidência do greening nos pomares fizeram com que a safra não alcançasse a previsão.
O greening é a pior doença da citricultura e seu controle tem sido o principal desafio dos citricultores nas últimas duas décadas. A doença ataca todos os tipos de citros e não há cura para as plantas contaminadas.
Árvores jovens afetadas não produzem, enquanto as adultas em fase produtiva enfrentam queda prematura de laranjas e definham com o passar do tempo. Um pé de laranja começa a produzir depois de dois anos, mas só atinge carga plena perto dos quatro anos, segundo produtores.
Além da seca e do greening, a colheita foi mais tardia do que o habitual. Conforme o Fundecitrus, a forte proporção de frutos de segunda florada contribuiu para reduzir o peso das laranjas e para aumentar a taxa de queda em comparação com a estimativa.
Isso fez com que o peso médio de cada laranja fosse de 153 gramas e fossem necessárias 266 para preencher uma caixa de 40,8 quilos. A previsão inicial indicava 158 gramas por fruto, ou 258 por caixa.
Entre maio do ano passado e março deste ano, a média de chuva nos polos produtores do interior de São Paulo e de Minas Gerais foi de 1.135 milímetros, 13% menos do que a média histórica de 1991 a 2020.
Os principais deficits ocorreram no Triângulo Mineiro e na região de Altinópolis (SP), com 30% menos que a média.
A estimativa para a próxima safra e o inventário do parque citrícola nos dois estados serão divulgados em 8 de maio pelo Fundecitrus.