O Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba, na região metropolitana de Natal, foi escolhido para abrigar o novo supercomputador de inteligência artificial que será adquirido pelo governo federal por pouco mais de R$ 1 bilhão.
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o edital público de concorrência para a compra do equipamento será publicado no Diário Oficial da União. Os recursos são do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
A infraestrutura deverá alcançar 7.200 petaflops, o equivalente a cerca de 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo. De acordo com o governo, a capacidade será disponibilizada para empresas, universidades, instituições científicas e governos, para treinamento de modelos, pesquisa e desenvolvimento de aplicações de IA.
A execução ficará a cargo do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). A ministra Luciana Santos afirmou que o objetivo é reduzir a dependência externa no processamento de inteligência artificial e disse que o equipamento estará entre os 10 mais potentes do planeta.
O anúncio integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que reúne ações para ampliar a infraestrutura tecnológica do país, formar profissionais, transferir tecnologia e fortalecer a governança e a soberania digital. Segundo a ministra, o edital prevê contrapartidas de transferência de tecnologia, capacitação, pesquisa e desenvolvimento, conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros, com previsão de capacitar 5 mil brasileiros em cinco anos.
Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a iniciativa busca mostrar a capacidade de pesquisadores e jovens brasileiros, destacando a necessidade de oportunidade para que esse potencial seja desenvolvido.
A escolha pelo Nordeste foi justificada pelo esforço de reduzir desigualdades regionais no campo tecnológico e pela oferta de energia renovável, com destaque para a liderança do Rio Grande do Norte na produção de energia eólica.
Além do supercomputador, o governo anunciou outras iniciativas ligadas à área de tecnologia. Uma delas é o desenvolvimento de chips com arquitetura aberta RISC-V, com parceria de cerca de 70 países e previsão de 10 a 15 anos de desenvolvimento. Segundo o MCTI, essa frente será conduzida pelo Instituto Eldorado, de Campinas (SP), em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha.
Outra cooperação tecnológica envolve uma infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro, por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em parceria com as chinesas Huawei e Iflytek. A iniciativa prevê transferência de tecnologia, parcerias de pesquisa e desenvolvimento, formação de profissionais e desenvolvimento de uma pilha de software soberana.
Também está previsto o desenvolvimento de um modelo de linguagem de grande escala (LLM) nacional e de modelos de inteligência artificial em português. Nesse caso, o investimento público estimado é de R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos, e o início das operações está previsto para julho de 2027.
No evento, o governo brasileiro também assinou o documento de criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), com sede em Xangai, na China. Segundo o texto divulgado, a iniciativa busca desenvolver uma governança global de IA por meio de modelos com código aberto.
Ainda foi firmado um acordo de cooperação entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serpro e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para estruturar um projeto de criação de uma alternativa brasileira para armazenamento e processamento de dados e sistemas. A proposta é reduzir a dependência de grandes provedores estrangeiros na guarda de dados computacionais.