Rio, 15 – Os esquemas envolvendo fraudes no mercado financeiro evoluíram para processo de “terceirização”, no qual os ataques às vulnerabilidades se replicam de forma viral, avaliaram especialistas durante o Rio Innovation Week. O painel, organizado pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), discutiu como blindar o mercado financeiro frente ao momento de disrupção de tecnologias.
“Vinte anos atrás, a arquitetura tecnológica era mais voltada a conter ataques relacionados à infraestrutura física, mas evoluímos para aplicação em nuvem”, diz Antonio Gesteira, diretor executivo sênior da FTI Consulting. “Há determinados tipos de ataques e vulnerabilidade que eram detectados e que agora não são mais”, pontuou.
No painel, que teve a mediação de Karla Spotorno, editora do Broadcast Investimentos, Edivar Vilela de Queiroz Filho, CEO da CSD BR, destacou que os sistemas de prevenção costumam focar em sistemas, e não em pessoas, o que abre uma janela de oportunidades para os fraudadores. “A engenharia social coloca o ser humano como ponto central da vulnerabilidade”, disse. “As pessoas não têm consciência de todos os riscos.”
Gesteira, da FTI, também enfatizou que o comportamento do usuário também interfere no sucesso dos ataques. “O volume de ataques direcionados a usuários, com compra de credenciais que envolvem usuários finais, é uma preocupação”, disse, indicando que os usuários que não têm hábito de fazer atualizações de softwares têm mais chance de serem atingidos.
Também participou da mesa o CEO do Broadcast, Denis Piovezan, que ressaltou a atenção da companhia às questões de inovação e segurança. No momento, o Broadcast passa por um processo de consultoria da FTI, comentou.
Inovações
Ainda no painel, os especialistas lembraram que a indústria está num caminho de aprimorar os processos em relação à certificação, com análise de risco e exigência de documentação.
“Gestão de riscos de terceiros e acompanhamento de testes de intrusão, entre outras barreiras, estão sendo demandados”, afirmou Gesteira.
A inteligência artificial, um novo fator neste cenário, pode ser usada para favorecer fraudes – em interações com os sistemas tecnológicos -, mas também para monitoramento e investigação, com a análise de padrões, destacou Vilela.
Estadão Conteúdo