Menu
Economia

Ricardo Rochman: entre 16% e 18% da cesta do consumo brasileiro, pelo IPCA, é ligada a câmbio

Rochman enfatiza que o efeito do câmbio na cesta de consumo, via inflação, não é imediato, acontecendo em um período de 12 meses

Redação Jornal de Brasília

18/07/2025 22h02

fgv carta 1024x614 1 300x180

Foto:Divulgação/FGV

São Paulo, 16 – Um estudo da Fundação Getulio Vargas mostrou que entre 16% a 18% do consumo do brasileiro medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é ligado ao câmbio. Assim, na visão do coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV, Ricardo Rochman, o ideal seria que o investidor brasileiro tivesse cerca de 20% do seu portfólio com diversificação internacional a fim de neutralizar os efeitos do câmbio dentro de sua cesta de consumo.

Um exemplo dos efeitos do câmbio na cesta de consumo do brasileiro médio é o próprio reajuste do aluguel, via IGP-M – que, na avaliação de Rochman, “não faz sentido”, considerando a carga cambial alta dentro do índice.

Rochman enfatiza que o efeito do câmbio na cesta de consumo, via inflação, não é imediato, acontecendo em um período de 12 meses. O coordenador exemplifica que os efeitos da desvalorização do real no fim de 2024 ainda serão sentidos em dezembro deste ano, o que, segundo ele, denota a importância de que a diversificação no portfólio não seja feita de maneira pontual, mas sim ao longo do ano.

O profissional da FGV afirma ainda que enquanto entre 25% a 30% das carteiras de investidores americanos têm ativos fora dos EUA, no Brasil a diversificação do portfólio fora do País não chega a 5%.

Rochman acrescenta que tanto a política tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump, quanto o embate doméstico relacionado ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) são temporários, enquanto “investir é pensar principalmente no futuro”. Neste viés, afirma que o investimento externo em direção à maior economia do mundo ainda é o mais viável, pensando no médio, longo prazo.

“No fim das tarifas, EUA provavelmente vão se dar bem”, disse. Ele pondera que há quem apoie a tese de parar de usar o dólar como referência internacional, mas o coordenador da FGV enfatiza que não há muita alternativa além da divisa americana para isso

As declarações foram feitas durante o evento Avenue Connection, em São Paulo, em painel que apresenta pesquisa sobre como o impacto cambial afeta o consumo dos brasileiros e a importância da diversificação internacional.

Estadão Conteúdo

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado