Diante da sofisticação crescente do crime organizado, que utiliza operações financeiras complexas para ocultar recursos ilícitos, a Rede Nacional de Laboratórios de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (Rede-Lab) se consolidou como peça estratégica na política brasileira de enfrentamento à criminalidade financeira.
Criada em 2006 como resultado da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla), a Rede-Lab surgiu com o objetivo de implantar um laboratório modelo para análise de grandes volumes de dados e disseminação de boas práticas em tecnologia. Em 2007, o primeiro laboratório foi instalado no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI). O sucesso da iniciativa levou à replicação do modelo em estados e órgãos federais a partir de 2008, com a criação de Laboratórios de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) em polícias civis, ministérios públicos e Polícia Federal.
Em 2014, por meio da Portaria SNJ nº 242, a Rede-Lab foi formalmente instituída como instância de coordenação técnica. Atualmente, opera como programa permanente de articulação institucional do MJSP, conforme a Portaria nº 145/2022. A rede conecta laboratórios de 65 órgãos, incluindo polícias civis e ministérios públicos dos 27 estados, Polícia Federal, Ministério Público Federal, Receita Federal, Controladoria-Geral da União (CGU) e Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT).
A Rede-Lab não realiza investigações nem produz provas, que são apuradas autonomamente pelos LAB-LD vinculados a cada órgão. Sua função principal é padronizar conceitos, difundir tecnologias, promover intercâmbio de experiências e multiplicar o conhecimento técnico. “A rede atua como facilitadora, criando condições para que os laboratórios identifiquem e analisem indícios de lavagem de dinheiro”, explica o coordenador Danilo Ferreira de Toledo.
Cada LAB-LD funciona como núcleo especializado, com equipes de profissionais em tecnologia da informação, contabilidade, economia e análise financeira, transformando dados em informações estratégicas para investigações. O aprendizado cooperativo é o cerne da iniciativa: conhecimentos desenvolvidos em um laboratório são compartilhados com toda a rede, elevando o nível técnico das apurações nacionais, conforme o coordenador-geral Bernardo Antonio Machado Mota.
A Rede-Lab participa indiretamente de grande parte das investigações financeiras relevantes no Brasil, especialmente com a migração de crimes para ambientes digitais, como fraudes bancárias, criptoativos e uso de inteligência artificial. Seu trabalho foi reconhecido internacionalmente no Relatório de Avaliação Mútua do Brasil, de 2023, pelo Grupo de Ação Financeira (Gafi), que a destacou como boa prática no combate à lavagem de dinheiro.
Para 2026, a Rede-Lab planeja projetos como a incorporação do Guia de Rastreamento e Investigação Patrimonial (GRINPA), uma plataforma digital com conteúdos atualizados sobre rastreamento patrimonial e criptoativos. A iniciativa visa oferecer ferramentas permanentes de consulta, além do desenvolvimento de sistemas para análise de relatórios de inteligência financeira e produção de manuais técnicos, focando na organização e compartilhamento de conhecimentos entre os LAB-LD. As informações foram retiradas do Governo Federal.