Nem mesmo a restrição ao crédito motivada pela crise internacional vai atrapalhar os financiamentos para casa própria com dinheiro do Fundo de Garantia doTempo de Serviço (FGTS), dosage que deverão contar com mais recursos no próximo ano. A expectativa é de que essas linhas de crédito para habitação recebam R$ 11,84 bilhões em 2009. O valor é 40% superior ao deste ano, R$ 8,49 bilhões.
Os valores fazem parte do orçamento do FGTS, que será discutido pelo Conselho Curador, amanhã. Deste total, R$ 7,4 bilhões estão reservados para a habitação popular em 2009. O
crescimento dos recursos nesse segmento será de 68,18% em relação a este ano, quando o
fundo reservou R$ 4,4 bilhões.
O anúncio foi antecipado pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, durante o Fórum de Debates Político e Empresarial da Associação dos Dirigentes de Vendas e de Marketing do Brasil (ADVB). Na prática, a iniciativa tenta tranqüilizar o empresariado, que convive com a falta de crédito no mercado em razão da crise. O setor teme que essa situação afete o mercado.
Para justificar esse acréscimo nos financiamentos, Lupi destacou que isso será possível graças
ao aumento da arrecadação do FGTS. A captação maior foi registrada devido à alta nas contratações com Carteira de Trabalho assinada. “Com isso, é possível ampliar os investimentos
principalmente nas áreas em que o FGTS incentiva”, destacou o ministro, que também é presidente do Conselho Curador.
A boa notícia vem de encontro ao pensamento do Bradesco, que prevê que o crédito imobiliário no País continuará aquecido. “O mercado imobiliário continuará aquecido, mesmo com a desaceleração da economia. Não haverá falta de recursos, porque há a exigibilidade a ser cumprida”, afirmou ontem o diretor de Relações com Investidores do Bradesco, Milton Vargas. O banco separou, para este ano, R$ 5,7 bilhões para financiamento de imóveis, dos quais R$ 4,8 bilhões estavam c o m p ro m e t i d o s.
Sai ajuda do governo
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo divulga hoje um programa de
capital de giro para as empresas do setor de construção civil. Segundo ele, serão R$ 3 bilhões
que virão de uma linha especial da Caixa Econômica Federal (CEF) e não do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS). O custo financeiro ainda não está definido, embora Mantega tenha afirmado que será inferior ao praticado pelo m e rc a d o .
Mantega também mencionou a disponibilização do capital de giro para a indústria em geral,
mas não deixou claro se isso acontecerá por meio do sistema financeiro privado ou se será um
programa do governo. O ministro destacou que o governo trabalha para fazer uma política
anticíclica que garanta a continuidade do crescimento do País. Nesse sentido, ele enfatizou
que os investimentos públicos, em especial os relacionados ao Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), não serão paralisados.
Segundo Mantega, a estratégia do governo Lula está clara e é pautada pelo estímulo aos
investimentos públicos, de modo que estes incentivem o setor privado a se expandir. “Esta crise
não mudou a direção. Não mudou a relação entre o Estado e o setor privado. O Estado é regulador e busca incentivar o setor privado”, afirmou o ministro, destacando que esse modelo
estava funcionando até o agravamento da crise.
De acordo com ele, o governo, ao ajudar as instituições financeiras, não está mirando em uma estatização, nem privilegiando um setor, mas garantindo que os recursos financeiros cheguem ao setor produtivo. Ainda em relação aos bancos e à medida provisória 443, que aumenta os poderes da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, Mantega afirmou que não há nada de estatização nesse medida e ressaltou que o objetivo o governo é resolver questões emergenciais.
O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Paulo Safady Simão, considera suficiente os R$ 3 bilhões que o governo pretende emprestar às construtoras. Segundo Simão, a proposta do setor é que a taxa de juros seja de 9% mais TR.
O presidente da CBIC disse que os recursos poderão ser usados para financiar fusão entre
as construtoras, além da compra de ativos. A estimativa é que o setor cresça 8,5% este ano.
Segundo Simão, o reforço do governo vai garantir que a desaceleração prevista para 2009
não seja muito forte.