Menu
Economia

Reação ao tarifaço: “Brasil não pode ceder”, diz especialista; assista à entrevista

“O Brasil e os BRICS são uma ameaça para os Estados Unidos. Agora, não pode ceder como outros países, já que isso com certeza iria prejudicar a imagem do país para relações diplomáticas futuras. O Brasil pode e deve enfrentar os EUA, mas não sozinho”

Agência UniCeub

14/08/2025 13h47

trump delivers remarks on reciprocal tariffs

Foto: Brendan SMIALOWSKI/AFP

Por Artur Monteiro e Caio Aquino
Agência de Notícias do CEUB

Após a efetivação do tarifaço de 50% do governo dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, o governo brasileiro e especialistas avaliam que a argumentação do governo de Donald Trump pode não ser a que está sendo divulgada: uma suposta injustiça contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Professora e especialista em relações internacionais, Fernanda Medeiros acredita que há um clima de grande incerteza sobre os próximos passos do governo americano e que Jair Bolsonaro seria somente parte do interesse dos Estados Unidos contra o Brasil.

“O Brasil e os BRICS são uma ameaça para os Estados Unidos. Agora, não pode ceder como outros países, já que isso com certeza iria prejudicar a imagem do país para relações diplomáticas futuras. O Brasil pode e deve enfrentar os EUA, mas não sozinho”.

Confira a entrevista com a professora

“Posição firme”

Em meio a toda a situação tarifária e sanções aplicadas à figuras políticas do Brasil por parte do Estado Americano, a internacionalista acredita que o Brasil precisa manter uma posição “firme” com relação à postura norte-americana.

Porém, ela ressalta que haverá impactos na economia nacional e que o Brasil precisa buscar outros meios para estabilização financeira, como fechamento de acordos comerciais com outros países.

Próximos desdobramentos

A notícia da prisão de Bolsonaro é vista como “gatilho” para que novas medidas sejam aplicadas ao Brasil e suas autoridades por especialistas.

“Fazendo uma análise cognitiva, Bolsonaro representa apenas 30% do que os Estados Unidos pretendem com o Brasil. Há uma identificação ideológica e até mesmo masculina do Trump com o Jair, mas o próprio já admitiu não ser seu amigo, que apenas o conhece”, afirma. 

A professora também alertou sobre a possibilidade de novos usos da Lei Magnitsky, aplicadas a pessoas próximas a Alexandre de Moraes e outras autoridades brasileiras, questionando sobre o real uso e credibilidade da aplicação da lei americana e sobre como vai contra os princípios da soberania nacional.

“A gente vê esses rumores da Lei Magnitsky podendo ser aplicada no futuro à esposa do Moraes, ao Luís Roberto Barroso, ao ministro Gilmar Mendes e questiona sobre a real finalidade desta lei. Nós especialistas de relações internacionais a consideramos uma violação da soberania nacional, por se tratar de uma lei doméstica americana capaz de aplicar sanções a pessoas de outros países e interferir em sua política interna sem antes haver uma consulta com órgãos mediadores”.

Lei Magnitsky

Criada em 2012, durante o governo Obama, a Lei Magnitsky foi usada com  objetivo de punir autoridades russas responsáveis pela morte do advogado Sergei Magnitsky, assim como outras lideranças políticas que desrespeitarem princípios dos Direitos Humanos.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos (USDT) atribuiu a Moraes, por meio de documentos oficiais, ser “responsável por uma campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias que violam os direitos humanos e processos judiciais politizados — inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro”.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado