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Economia

Quem é Rafael Gois, fundador da Fictor e alvo de operação da PF contra fraudes bancárias

CEO da Fictor foi alvo de busca em operação que apura fraudes bancárias com prejuízos que podem ultrapassar R$ 500 milhões

Redação Jornal de Brasília

25/03/2026 14h03

rafael gois

Foto: Divulgação

GABRIELA CECCHIN
FOLHAPRESS

Rafael Ribeiro Leite de Gois, 47, fundador e CEO da holding financeira Fictor, foi alvo da operação da Polícia Federal contra fraudes bancárias deflagrada nesta quarta-feira (25) —cinco dias antes de seu aniversário, de acordo com um formulário preenchido para sua empresa disponível na internet.

Procurada, a Fictor afirma que seu CEO foi alvo de um mandado de busca e apenas o smartphone dele foi apreendido. “Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos.”

O empresário é casado, fundou a holding em 2007 e diz trabalhar no mercado financeiro desde os 16 anos, quando ingressou numa “empresa familiar de gestão de crédito”, segundo seu perfil do LinkedIn e arquivos públicos da empresa. Gois é bacharel e mestre em administração de empresas e cursa um programa oferecido pela Harvard Business School para proprietários e presidentes de empresas.

Ao longo da carreira, o CEO passou por empresas dos setores industrial e de bebidas. Durante a graduação em administração, iniciou estágio em uma fabricante de embalagens metálicas, onde permaneceu por cerca de dez anos e chegou ao cargo de gerente de supply chain. Mais tarde, também atuou na reestruturação da cervejaria Schincariol (posteriormente Brasil Kirin).

Antes de fundar a Fictor, aos 29 anos, trabalhou no desenvolvimento de um sistema voltado a plataformas de extração de petróleo offshore e, em 2013, fez investimentos na indústria de bebidas, ampliando sua atuação no mercado de capitais, diz o empresário em currículo público.

A Fictor foi criada em 2007 e, segundo o próprio grupo, começou com foco em tecnologia. Ao longo dos anos, passou a operar como uma holding de participações e investimentos, reunindo negócios em áreas como comercialização de commodities, indústria alimentícia, infraestrutura, energia e serviços financeiros.

O conglomerado afirma no site ter presença internacional, com escritórios em Lisboa e Miami, com braços específicos para suas operações, como a Fictor Asset, voltada à gestão de investimentos, e a FictorPay, empresa de meios de pagamento com foco no público corporativo.

Em 2024, Gois assumiu também a presidência do conselho de administração da Fictor Alimentos, braço industrial do grupo com unidades em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. A empresa tem capital aberto e não foi incluída no pedido de recuperação judicial da holding.

A Fictor ganhou projeção recente ao ampliar sua atuação no sistema financeiro e ao anunciar, em novembro do ano passado, uma tentativa de compra do Banco Master, em parceria com investidores estrangeiros. A operação não avançou após resistência do Banco Central.

Pouco depois, em fevereiro deste ano, o grupo entrou com pedido de recuperação judicial, declarando dívidas superiores a R$ 4,2 bilhões. A medida ocorreu em meio a uma deterioração da liquidez e a uma corrida de investidores para resgatar recursos aplicados em produtos ligados à empresa.

Segundo investigações da PF nesta quarta, um esquema envolvia fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, com prejuízos que podem ultrapassar R$ 500 milhões.

De acordo com a PF, a organização utilizaria empresas de fachada e estruturas societárias para ocultar a origem de recursos ilícitos. O grupo também contaria com a cooptação de funcionários de instituições financeiras, responsáveis por inserir dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas.

Ainda segundo a investigação, os valores obtidos eram posteriormente convertidos em bens de luxo e criptoativos, com o objetivo de dificultar o rastreamento.

A operação cumpre 21 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, veículos e ativos financeiros.

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