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Economia

Quem é Felipe Vorcaro, empresário da energia solar e dono de imóveis de luxo preso no caso Master

Investigação aponta Felipe Vorcaro como operador financeiro de suposta organização criminosa ligada ao caso Banco Master e a negócios em energia solar e imóveis de luxo

Redação Jornal de Brasília

07/05/2026 12h39

Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Foto: Reprodução/ Redes Sociais

ANA PAULA BRANCO E PEDRO LOVISI
FOLHAPRESS

Preso pela Polícia Federal, nesta quinta-feira (7), em nova fase da Operação Compliance Zero, Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, construiu nos últimos anos uma rede de negócios em energia renovável, participações societárias e imóveis de luxo em Trancoso, no sul da Bahia.

Ele aparece em materiais publicitários e documentos societários como sócio de companhias ligadas ao setor de geração solar.

Na decisão que autorizou sua prisão temporária por cinco dias nesta quinta, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), reproduz trechos da investigação da PP que apontam Felipe como integrante do “núcleo financeiro-operacional” da suposta organização criminosa investigada no caso Master.

A defesa de Felipe Vorcaro não foi localizada. Trinity, Forgreen e Greenpay foram procuradas pela manhã desta quinta por email e telefone, mas não responderam. O administrador da BRGD foi procurado por WhatsApp, mas também não respondeu. As demais não foram localizadas.

Além de primos, Felipe e Daniel Vorcaro são parecidos. Ambos usam barba cheia aparada, têm cabelo escuro e traços faciais semelhantes, com rosto alongado e sobrancelhas marcadas. Em fotografias de materiais corporativos e redes sociais, eles aparecem de terno em eventos empresariais.

Felipe já foi alvo de processos administrativos na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por suspeita de operações fraudulentas envolvendo fundos de investimento imobiliário.

Na investigação atual, a PF destaca sua habilidade em utilizar “contratos de gaveta” e estruturas societárias complexas para contornar mecanismos de fiscalização e ocultar o real destino de recursos ilícitos.

Antes de sua captura, em janeiro deste ano Felipe fugiu minutos antes da chegada da PF na segunda fase da Operação Compliance Zero usando um carrinho de golfe do condomínio de luxo Terravista, em Trancoso (BA), e levando seus dispositivos eletrônicos, segundo cita decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo a decisão de Mendonça, Felipe atuaria como operador financeiro de Daniel Vorcaro, responsável pela execução de movimentações financeiras e societárias relacionadas à Green Investimentos S.A..

“Felipe é apontado como integrante do núcleo financeiro-operacional da organização criminosa. A representação o descreve como operador financeiro de Daniel Bueno Vorcaro, incumbido da interligação entre decisões estratégicas do núcleo central e a execução material das movimentações financeiras e societárias”, diz trecho da decisão.

A investigação afirma ainda que Felipe tratou diretamente do “contrato de compra e venda de ações – Green”, citado pelos investigadores como uma das operações sob análise.

Ainda de acordo com a denúncia, Felipe se relacionava com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) -também alvo da PF nesta quinta-, funcionando como o executor de vantagens indevidas destinadas ao parlamentar. Felipe teria sido o responsável por operacionalizar a venda de 30% da empresa Green Investimentos para uma companhia administrada pelo irmão do senador com um deságio extremo: as ações, avaliadas em R$ 13 milhões, foram transferidas por R$ 1 milhão.

O valor pago, apontam as investigações, seria recuperado em menos de dois anos apenas com dividendos da Trinity, empresa a qual a Green Investimentos tem 21,75% das ações. A Trinity opera na geração e comercialização de energia solar, com usinas em MG, RJ, PE, BA, PI, CE e RN que somam R$ 450 milhões em investimentos.

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal também revelam que Felipe geria a chamada “parceria BRGD/CNLF”, que consistia no pagamento de uma “mesada” ao senador, cujos valores iniciaram em R$ 300 mil e chegaram a atingir R$ 500 mil, sendo mantidos como prioridade absoluta por ordem de Daniel Vorcaro.

O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse em nota que a defesa “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
Conversas reproduzidas na decisão também mostram trocas de mensagens entre Felipe e Daniel sobre pagamentos ligados à “parceria BRGD/CNLF”. Em junho de 2024, Felipe pergunta: “Oi Daniel, é para seguir com o pagamento dos 300k para o pessoal que investiu na BRGD?”.

Em materiais de divulgação da ForGreen, empresa do setor de energia, Felipe era descrito como “sócio capitalista” e diretor-executivo do Grupo Multipar, holding com investimentos nos setores imobiliário, financeiro, de seguros e saúde. Os documentos afirmam que ele liderou, em 2019, a aquisição do Grupo Promed, então operadora de planos de saúde de Minas Gerais, e que vendeu sua participação na empresa à Hapvida em 2021 por R$ 1,5 bilhão.

Organogramas societários usados em apresentações financeiras mostram Felipe Vorcaro no comando de uma estrutura espalhada por diferentes braços do setor elétrico. Ele aparece ligado a empresas como Green Investimentos, Green Stone Participações, Pro Energy e Green Energy, além de sociedades voltadas a usinas solares e aquisição de empresas de EPC -responsáveis pela implantação de projetos de energia.

O nome de Felipe também aparece associado a uma companhia voltada a projetos de energia solar em condomínios e empreendimentos comerciais. Em publicação recente sobre uma emissão de debêntures conversíveis da empresa, a assessoria financeira da operação informou que os recursos seriam destinados à expansão de projetos solares no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília.

Pessoas com conhecimento do negócio afirmam que a Trinity Energia, empresa ligada ao grupo, entrou em dificuldade financeira neste ano depois que bancos interromperam linhas de crédito em meio ao escândalo envolvendo o Banco Master.

A decisão do STF também cita que Felipe deixou a presidência da Green Investimentos S.A. um dia após a primeira fase da Operação Compliance Zero. Para a Polícia Federal, o movimento pode indicar “tentativa de dissociação formal de uma das estruturas investigadas”.

Felipe também acumulou patrimônio imobiliário em Trancoso, destino turístico de luxo no sul da Bahia. Pessoas próximas ao empresário afirmam que ele possui diversos imóveis na região.

No pedido encaminhado ao STF, a Polícia Federal requereu a prisão temporária de Felipe e medidas cautelares contra outros investigados, além da suspensão das atividades da CNLF Empreendimentos Imobiliários, BRGD S.A., Green Investimentos S.A. e Green Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia.

O Ministério Público Federal concordou com os pedidos da PF por ver “indícios concretos de estreita relação pessoal, empresarial e financeira entre os investigados”, incluindo suspeitas de aquisição societária por valor incompatível, repasses mensais de recursos, uso de imóveis sem contraprestação, custeio de viagens e despesas elevadas, além de elementos relacionados à emenda Master.

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