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Economia

Quem deve puxar o crescimento da economia brasileira em 2026

O saldo final será uma moderação do crescimento — de 2,3% em 2025 para 1,8% em 2026 —, caso se confirmem as previsões coletadas pelo Banco Central

Redação Jornal de Brasília

06/01/2026 6h19

Foto: Agência Brasil/EBC

Foto: Agência Brasil/EBC

A economia brasileira não poderá contar neste ano com o empurrão do agronegócio, e com isso seu crescimento será ainda mais dependente do consumo das famílias e do setor de serviços. Conforme as previsões de mercado, 59% do crescimento econômico em 2026 acontecerá no setor onde estão incluídos o comércio, as transportadoras, os bancos e inúmeros outros prestadores de serviços.

Pelos cenários traçados por economistas consultados pelo Estadão/Broadcast, os juros altos seguirão tirando fôlego da atividade. Mas uma desaceleração mais forte será limitada pela expansão da renda e por estímulos ao consumo lançados pelo governo. O saldo final será uma moderação do crescimento — de 2,3% em 2025 para 1,8% em 2026 —, caso se confirmem as previsões coletadas pelo Banco Central (BC) no mercado para a publicação do boletim Focus.

Os porcentuais são calculados a partir das previsões de economistas coletadas pelo BC, ponderadas pelo peso de cada setor no Produto Interno Bruto (PIB).

A desaceleração deve atingir quase todos, variando, porém, de intensidade entre os setores. “Embora as condições financeiras também devam seguir pesando sobre o setor de serviços, o mercado de trabalho ainda robusto deve sustentar ganhos de renda, impulsionados também pela isenção de imposto de renda (a salários de até R$ 5 mil) e pela nova linha de crédito consignado a trabalhadores do setor privado”, comenta Gabriel Couto, economista do Santander.

“Enquanto as condições climáticas, que favoreceram a produção das principais lavouras no ano passado, não devem se repetir em 2026, os gastos com bens e serviços devem continuar sustentados pelo mercado de trabalho ainda relativamente aquecido e pela massa de renda em expansão”, diz Natalia Cotarelli, economista do Itaú Unibanco.

No ano passado, o setor de serviços, de onde saiu quase metade do crescimento do PIB, foi mais uma vez o principal motor da economia, mas tendo no agro um aliado de peso. Com a safra recorde de grãos, a produção na agropecuária superou as adversidades climáticas de 2024, ofuscou os primeiros efeitos da alta dos juros na atividade e contribuiu com 26% do crescimento do PIB em 2025.

Qual é o motivo de cautela no campo

Só que, para 2026, os economistas estão cautelosos em relação ao desempenho do campo, não só pela base de comparação alta, que torna mais difícil o crescimento, mas também pelas possíveis alterações climáticas promovidas pelo La Niña.

Em paralelo, os preços dos grãos seguirão pressionados pelo aumento da oferta em uma economia global que tende a crescer menos. As previsões apontam para um crescimento de 2% da agropecuária em 2026, saindo dos 10,3% estimados para o resultado final de 2025.

Se confirmado o prognóstico, significará uma participação de 6% no crescimento do PIB em 2026, ou seja, basicamente um quarto da contribuição dada pela produção do campo no ano passado.

Com os juros altos batendo nos setores mais dependentes de crédito, como construção civil e as fábricas de bens duráveis e de máquinas e equipamentos, a indústria deve continuar crescendo menos do que as demais atividades, preveem os economistas. Ainda que as apostas majoritárias sejam de corte da Selic em março, os reflexos do afrouxamento monetário só devem ser sentidos no segundo semestre.

O impacto de petróleo e minérios

Setores extrativistas tendem a compensar em parte esse impacto com mais produção de petróleo e minérios, de forma que a indústria, como um todo, deve responder por 16% do crescimento do PIB de 2026, uma contribuição um pouco superior à estimada para 2025 (14%).

Economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa diz que, enquanto os investimentos devem sentir os juros altos, o consumo das famílias será o principal vetor de crescimento neste ano, na esteira da continuidade de um mercado de trabalho robusto, das novas modalidades de crédito e da maior disponibilidade de renda dos trabalhadores que serão beneficiados pelas mudanças nas faixas do imposto de renda.

“O setor de serviços deve manter crescimento próximo ao estimado para 2025, sustentado por medidas de estímulo e resiliência do mercado de trabalho. Já a indústria, particularmente o segmento de transformação, deve apresentar desaceleração mais acentuada, refletindo o ambiente de juros elevados, queda da utilização da capacidade instalada e nível de confiança relativamente moderado”, prevê Honorato.

Em resposta enviada por sua equipe macroeconômica, o BTG Pactual aponta também a Copa do Mundo, que costuma alavancar as vendas de bebidas, alimentos e televisores, entre os acontecimentos que devem ajudar o varejo até o fim do ano.

A elevação do salário mínimo, acrescenta o BTG, será outra variável a sustentar a demanda. O banco pondera, por outro lado, que o alto endividamento das famílias representa um risco, uma vez que pode frear a oferta de crédito ao longo de 2026.

Estadão Conteúdo

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