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Economia

Queixa de Vorcaro a Lula em reunião no Planalto não fazia sentido, diz Galípolo

Presidente do BC disse que as únicas recomendações que recebeu após a reunião foram a de que ele acompanhasse o Master “o mais técnico possível” e “sem pirotecnia”

Redação Jornal de Brasília

08/04/2026 13h16

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

FERNANDA BRIGATTI
FOLHAPRESS

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seu ex-sócio Augusto Lima disseram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma reunião no Palácio do Planalto, em novembro de 2024, que tinham métodos inovadores e que vinham sendo perseguidos por incomodar a concorrência. Para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que esteve no encontro, o argumento fazia pouco sentido, já que o Master era um banco pequeno, com menos de 0,5% dos ativos do mercado.

Em depoimento à CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira (8), Galípolo disse que aquela foi a única reunião que teve com Vorcaro no Planalto. No ano seguinte, o ex-banqueiro iria diversas vezes ao BC durante o processo de supervisão ao qual seu banco era submetido.

O encontro com Lula foi em 4 de novembro de 2024, antes de as fraudes no Banco Master serem tornadas públicas. Galípolo era diretor de Política Monetária e assumiria, pouco mais de um mês depois, em 30 de dezembro, a presidência do BC.

Segundo Galípolo, ele foi chamado para ir ao Planalto e chegou lá já com a reunião em curso. Além de Vorcaro e Augusto Lima, estavam lá o ex-ministro Guido Mantega, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

Vorcaro teria dito que o mercado bancário brasileiro era muito concentrado. “O que o presidente fez foi o que eu faço quando alguém vem [com uma reclamação]”, disse Galípolo. “[Lula disse] O Gabriel vai assumir, ele vai analisar isso tecnicamente. Não é aqui, é no Banco Central, ele vai tratar lá”, afirmou à CPI.

O presidente da autoridade monetária disse que as únicas recomendações que recebeu após a reunião foram a de que ele acompanhasse o Master “o mais técnico possível” e “sem pirotecnia”.

Galípolo esteve no colegiado na condição de convidado, ou seja, ele não era obrigado a ir. O requerimento aprovado na comissão foi apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) e pedia informações sobre a reunião de Lula, Galípolo e Vorcaro no Planalto.

“A oitiva pretendida não se dirige à atividade técnica do Banco Central em si, mas à necessidade de assegurar transparência institucional e afastar quaisquer dúvidas sobre eventual interferência política ou econômica indevida em processos de fiscalização e controle do sistema financeiro”, afirma Girão no pedido.

A CPI do Crime Organizado foi criada sob o argumento de apurar a expansão da atuação de milícias e facções e seu entranhamento na economia formal. O escândalo do Banco Master não tem, até agora, uma CPI própria –pedidos de instalação estão parados no comando do Congresso Nacional.

Com isso, as outras CPIs em andamento –do INSS, encerrada há alguns dias, e a do crime organizado– acabaram escoando pedidos de depoimento, de quebras de sigilo e de solicitação de documentos.

Vieram da CPI do Crime Organizado os documentos da Receita Federal que indicam pagamentos de R$ 80,2 milhões declarados pelo Master ao escritório da mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados.

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