A quebra do Lehman Brothers e a venda da Merrill Lynch para evitar algo parecido nesta companhia sacudiram hoje as bolsas de todo o mundo, viagra aturdidas pelo efeito devastador da crise de crédito nos Estados Unidos sobre os maiores bancos de investimento do país.
A incerteza que predominou nas bolsas nos últimos pregões de hoje deu lugar ao pânico, capsule especialmente em Wall Street, diante da constatação de que o Governo dos Estados Unidos e o Federal Reserve (Fed, banco central americano) não vão intervir para evitar que a crise atinja outras entidades como o Lehman Brothers.
Até o momento, o Departamento do Tesouro e o Fed atuaram nos grandes colapsos empresariais causados pela crise, ajudando no resgate do Bear Stearns, há seis meses, e do Fannie Mae e do Freddie Mac, no mês passado.
No entanto, a semana da bolsa começou com duas das notícias empresariais mais duras na história moderna das finanças dos EUA: o anúncio de quebra do quarto maior banco de investimento do país e a compra da Merrill Lynch pelo Bank of America.
Esta foi a pior manhã para Wall Street e outros mercados desde que começou a crise há um ano, originada pela desproporcional quantidade de instrumentos de dívida vinculados a hipotecas e sua infiltração em quase todo o mundo financeiro do planeta.
O desastroso despertar de Wall Street (onde eram registradas quedas de 3%) era antecipado pelas fortes baixas nas bolsas de todo o mundo, começando pela Ásia, embora muitas tenham permanecido fechadas por causa de feriados.
O cenário continuou na Europa, onde aconteceram quedas de 4,5% em Madri, 2,74% em Frankfurt, 3,66% em Milão, 3,83% em Zurique e 3,75% em Paris. Depois foi a vez da América Latina, que também abriu em baixa, com quedas de 3,42% em Buenos Aires, 2,22% no México e 2,65% em São Paulo.
Diante de uma situação que o candidato presidencial democrata Barack Obama considera como a “crise financeira mais séria desde a Grande Depressão” dos anos 30, os bancos centrais se prepararam para oferecer liquidez a um sistema no qual se movimenta muito mais dinheiro do que realmente existe, o que torna vital a circulação do mesmo.
Um grupo de dez grandes bancos anunciou a criação de um fundo conjunto de US$ 70 bilhões com o mesmo propósito, em um dia no qual o Lehman Brothers anuncia o fim de seus mais de 150 anos de história.
Na última sexta, os funcionários da sede do banco deixaram o escritório de Manhattan sabendo que restavam poucas horas para a empresa. Já durante o fim de semana, foi possível ver muitos deles levando seus pertences em caixas.
Neste dia, a entidade fechou a pior semana de sua história na bolsa (com queda de 77,4%) e já negociava sua própria venda, pensando que alguém tivesse interesse em entrar em seu capital para tentar torná-lo novamente rentável ou tirar proveito de alguma de suas áreas de negócio.
No entanto, após um fim de semana de reuniões entre executivos das maiores entidades financeiras do país e diretores do Fed, ninguém quis se meter em confusões sem o apoio de Washington.
Hoje, o banco agonizava em Wall Street, onde seus títulos chegavam a ser negociados a US$ 0,15, em comparação aos US$ 59,5 de um ano atrás.
Para evitar que o mesmo ocorra na Merrill Lynch, a maior corretora do mundo, seus diretores definiram sua venda ao Bank of America, o banco com maior carga de depósitos dos EUA, que pagará US$ 29 por cada título, 70% em relação ao valor de sexta-feira.
Caso se integrem com sucesso, ambas poderiam rivalizar com o Citigroup, líder no país por ativos, embora a operação não esteja isenta de riscos, pois o banco ainda digere a compra da Countrywide e a saúde financeira da Merrill Lynch ainda não está garantida.
Certo é que caso terminem operando juntas, isto acontecerá em um setor completamente diferente ao que existia antes da explosão da crise creditícia e da bolha imobiliária nos EUA.
Desde então, milhares de postos de trabalho foram perdidos e grandes empresas americanas desapareceram, enquanto o consumo do país enfraqueceu por causa das altas das taxas de juros – o que fez disparar a inadimplência no pagamento das hipotecas – e ao encarecimento do combustível e dos alimentos.