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Economia

Quais as saídas possíveis para o Master após o BC vetar a compra pelo BRB? Veja os quatro caminhos

Redação Jornal de Brasília

04/09/2025 6h03

master

Divulgação Banco Master

Após o Banco Central rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) na noite desta quarta-feira, 3, há pelo menos quatro saídas para a instituição de Daniel Vorcaro: intervenção, liquidação, oferta de compra dos ativos por um terceiro ou uma nova configuração da operação pelo BRB.

O mercado financeiro estava apreensivo com a possibilidade de o negócio ir para frente porque via no Master atitudes do que não se poderia fazer à frente do banco e julgava que a punição deveria ser um exemplo.

O Master teve um crescimento expressivo nos últimos anos, mas com um modelo de negócios que era apontado com altamente arriscado.

De um lado, o banco captava recursos oferecendo alta rentabilidade em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), um título de renda fixa garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). De outro, usava esses recursos para comprar ativos com pouca liquidez, como precatórios, direitos creditórios e ações de empresas em dificuldades.

Veja as saídas possíveis para o Master:

Intervenção e liquidação

Tanto a intervenção quanto a liquidação extrajudicial são regimes de resolução à disposição do BC para lidar com problemas graves em instituições financeiras. A primeira destina-se a interromper o funcionamento de uma instituição e retirá-la do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

A segunda é adotada quando ainda se avalia haver alguma possibilidade de recuperação. Pelo regimento do BC, cabe ao diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, propor à diretoria colegiada a decretação de qualquer uma dessas alternativas, inclusive no caso Master.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, o “risco CPF” já estava por trás da divisão interna no BC sobre o desfecho da operação entre BRB e Master. Aquino vinha dando sinais favoráveis, enquanto o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, Renato Gomes, vinha se mostrando resistente à aprovação.

A avaliação é de que a intervenção é vista como uma saída “muito traumática” para os envolvidos. Há, no entanto, quem aposte que, no caso do Master, não há outra solução possível.

O melhor caminho, nesse caso, seria optar por uma liquidação organizada. Para isso, seria preciso acionar o FGC, que tem um “caixa” de cerca de R$ 114 bilhões, e usar uma parte desses recursos para sanar a questão.

Como mostrou o Estadão em março, o principal produto do Master – os CDBs lançados a juros bem acima do que o mercado oferece para captar recursos -, consumiria quase metade do patrimônio líquido do FGC.

Venda de ativos

Como o BC não “costura” operações de fusão e aquisição – apenas avalia se o negócio para em pé -, o Master poderia tentar ainda vender seus ativos para um terceiro interessado.

Nova configuração do BRB

A quarta opção seria a de o BRB reformular sua proposta, como deve fazer, conforme antecipou o Estadão. Segundo interlocutores, o banco pode tanto pedir reconsideração por parte do BC quanto apresentar uma nova proposta para atender aos pontos levantados pela autoridade monetária para rejeitar a oferta de compra.

Esta última opção, segundo um interlocutor que acompanha o processo, é pouco viável depois de a negativa já ter sido dada pelo BC.

Se a proposta do BRB – que já tinha ficado com o “good bank”, ou seja, os bons ativos do Master – for ainda mais reduzida além do que já foi até aqui, na prática a instituição estaria adquirindo “uma carteira” e não mais a fatia de um banco.

Em entrevista ao Estadão, o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, havia dito que o perímetro da operação havia caído à metade com a análise detalhada dos ativos do Master. De início, o BRB iria incorporar R$ 48 bilhões do Master, mas esse números havia diminuído para R$ 23,9 bi.

Esse encolhimento do chamado “perímetro da operação”, em poucos meses, foi visto por especialistas como um ponto frágil do negócio, já que muitos ativos foram descartados pelo BRB.

Desde o anúncio da operação, houve uma desconfiança em relação à entrada de um banco regional na aquisição do Master. Uma coisa, comentaram observadores, é procurar abrir um nicho diferente no negócio num momento de ampliação de atuação. Outra é entrar numa operação de um banco praticamente falido e que tem características muito diferentes da de sua atuação – o Master é voltado mais para investimentos e o forte do BRB é o financiamento imobiliário no Centro-Oeste.

De qualquer forma, a cúpula do BC considerou analisar o caso, pois considerou uma solução possível. A avaliação sobre a recusa do negócio hoje é a de que o BC foi muito correto em não “jogar o pepino para a frente”. Foram muitas as conversas de representantes da autarquia com agentes do setor privado desde o anúncio da operação.

Estadão Conteúdo

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