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Economia

Projeção da inflação dentro da meta reacende debate sobre cortes na Selic

Quinta redução seguida nas estimativas do Focus coloca IPCA dentro da meta e amplia expectativa de flexibilização monetária nos próximos meses

Redação Jornal de Brasília

23/02/2026 15h32

banco central

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A quinta redução consecutiva na projeção do IPCA para 2026, agora em 3,97%, recolocou no centro do debate a possibilidade de início do ciclo de cortes da Selic nos próximos meses. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a estimativa passou a ficar dentro do intervalo da meta de inflação, fixada em 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O relatório também manteve a expectativa de Selic em 12,25% ao fim de 2026, além de crescimento do PIB de 1,8% no período e câmbio projetado em R$ 5,50. O conjunto de indicadores sinaliza convergência gradual das expectativas de inflação em ambiente de atividade moderada e juros ainda em patamar restritivo.

Para Matheus Portela, economista e diretor de gestão da VLGI Asset, empresa do grupo VLG Investimentos, o movimento reforça as condições para o início da flexibilização monetária, embora sob monitoramento. “A inflação vem se mantendo dentro da banda da meta, e as projeções do Focus indicam convergência para o centro nos próximos anos. Esse movimento, somado a sinais de desaceleração da atividade, como um PIB mais fraco, e a um câmbio mais comportado, reforça o cenário favorável ao início do ciclo de cortes”, afirma.

Segundo ele, a condução da política monetária tende a permanecer cautelosa. “O Banco Central deve buscar confirmação de que essa trajetória é consistente antes de acelerar a flexibilização”, diz. A avaliação considera o histórico recente de volatilidade inflacionária e a necessidade de manter as expectativas ancoradas.

Entre os fatores de risco, Portela destaca o cenário fiscal e o ambiente externo. “O principal ponto de atenção continua sendo o risco fiscal. A trajetória das contas públicas influencia diretamente as expectativas de inflação e os juros de longo prazo”, afirma. Ele acrescenta que a política monetária dos Estados Unidos e dados de atividade naquele país também podem influenciar o ritmo de cortes no Brasil.

No campo da alocação, o executivo avalia que a combinação de inflação em desaceleração e juros elevados exige estratégia equilibrada. “Os pós-fixados ainda oferecem retornos reais elevados e seguem sendo a principal escolha para liquidez e reserva. Com a perspectiva de queda da Selic, prefixados e títulos atrelados à inflação ganham atratividade para o longo prazo, tanto pelo carrego quanto pelo potencial de valorização com o fechamento da curva”, explica.

Ele ressalta que a antecipação desse movimento envolve risco. “Os maiores ganhos exigem que a alocação seja feita antes da consolidação dos cortes, o que demanda horizonte mais longo e tolerância a oscilações”, afirma. Ativos de renda fixa prefixados e IPCA+, além de ações e fundos imobiliários, tendem a se beneficiar do fechamento da curva de juros.

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