O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), online Luciano Coutinho, afirmou hoje, na Câmara de Comércio França-Brasil, que o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) “está deslanchando, apesar da má vontade da imprensa” em divulgar os bons resultados.
Durante encontro com empresários brasileiros e franceses, Coutinho falou sobre o PAC, os investimentos feitos e os que podem ser realizados pelo banco. De acordo com o presidente do BNDES, a maior prioridade da política industrial é o aumento de investimentos, com ênfase na infra-estrutura, estímulo à inovação, planejamento de longo prazo e fortalecimento institucional.
O presidente da Câmara de Comércio França-Brasil, Michel Durand Mura, no entanto, considera o programa ainda muito lento. “O PAC é muito positivo, mas achamos que vai lento demais”, disse Durand Mura. Ele ressaltou, porém, que a apresentação de Coutinho abre boas perspectivas: “Ficamos contentes de ver que o BNDES vai contribuir e liberar mais recursos, e mais rápido, nas áreas contempladas pelo PAC, com, por exemplo, em infra-estrutura e transportes”.
Sgundo Coutinho, dos 145 projetos do PAC, com investimento avaliado em R$ 108 bilhões, o BNDES aportará cerca de 60% dos recursos. “O momento é muito oportuno para investir no Brasil, e o BNDES alavanca esse processo”. Ele informou que a instituição está fazendo vários estudos para viabilizar economicamente e financeiramente projetos de infra-estrutura, além de atuar no financiamento de máquinas e equipamentos. “Há um ciclo de reequipamento da indústria, e a agricultura também está comprando. As vendas de máquinas e equipamentos financiadas estão crescendo”.
De acordo com Durand Mura, o Brasil volta a ter destaque entre os investidores estrangeiros. “Toda a indústria da França e da Europa estava se interessando muito mais pela Ásia – China e Índia principalmente. E o Brasil, recentemente, está retomando esse interesse. O Brasil tem fundamentos sólidos e, para o investidor, especialmente de infra-estrutura, energia e transporte, que é [investimento] de longo prazo, é fundamental. Isso anima um pouco mais os nossos associados a continuar apostando no futuro do país.”
Ele acrescentou que, do ponto de vista da França, Na América Latina, o Brasil é o principal país. “Há um ano, dois anos, era o México, mas hoje é o Brasil”. Durand Mura citou como ponto negativo na área de comércio exterior a falta de acordos bilaterais. “O Brasil não tem acordos de comércio com os Estados Unidos e com a Europa, e isso é um problema em comparação com outros países que já têm. Uma prioridade do Brasil, e nós da Câmara estamos acompanhando isso, é que existam a curto prazo acordos bilaterais entre a União Européia e o Mercosul.”
Na avaliação de Luciano Coutinho, o Brasil passa por um bom momento. Para ele, isso se deve às diretrizes tomadas pelo governo e à harmonia. “Há uma conjugação de esforços em favor do progresso brasileiro entre a Casa Civil, o Ministério da Fazenda, entre outros, e o BNDES.” Por fim, disse Coutinho, o Brasil não pode deixar de ter uma política industrial forte. “A política industrial é parte fundamental na sustentação do crescimento”.
Ainda segundo Coutinho, o BNDES é hoje o segundo maior banco de investimentos do mundo. Está atrás do Banco Europeu de Investimento (BEI) e na frente do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).