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Prévia da inflação desacelera em janeiro, mas segue acima de 10% em 12 meses

Apesar da perda de fôlego, a variação de janeiro ficou acima das expectativas do mercado financeiro. Analistas esperavam avanço de 0,44%

Por FolhaPress 26/01/2022 9h54
Foto: Reprodução

Leonardo Vieceli
Rio de Janeiro, RJ

A prévia da inflação oficial no Brasil começou o ano de 2022 com variação de 0,58% em janeiro, informou nesta quarta-feira (26) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado sinaliza uma desaceleração frente a dezembro de 2021, quando a alta havia sido de 0,78%. Os dados integram o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15).

Apesar da perda de fôlego, a variação de janeiro ficou acima das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg esperavam avanço de 0,44%.

Com a entrada do novo dado, a prévia da inflação acumulou alta de 10,20% em 12 meses até janeiro. Nesse recorte, analistas também projetavam variação menor, de 10,04%. Até dezembro, o acumulado era de 10,42%.

O índice oficial de inflação no Brasil é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), também calculado pelo IBGE.

O IPCA-15, pelo fato de ser divulgado antes, sinaliza uma tendência para os preços. Por isso, é conhecido como uma prévia.

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Em 12 meses, o IPCA-15 está bem acima da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA. O centro da meta é de 3,50% em 2022. Já o teto foi definido em 5%.

Analistas do mercado já projetam novo estouro da meta, o segundo consecutivo, com o IPCA acima dos 5% no acumulado até dezembro.

Em dezembro, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta de preços, segundo o IPCA-15. A exceção foi o segmento de transportes, que recuou 0,41%, após alta de 2,31% em dezembro. O maior impacto no índice de janeiro (0,20 ponto percentual) foi do grupo de alimentação e bebidas (0,97%), que acelerou frente ao mês anterior (0,35%).

Choques na pandemia Uma sucessão de choques vista ao longo da pandemia ajuda a explicar a escalada dos preços no Brasil.

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Após desalinhar cadeias produtivas globais, a crise seguiu provocando escassez de insumos no mercado internacional em 2021.

Com a falta de matérias-primas e a reabertura da economia, os preços ficaram mais caros em diferentes regiões.

Atividades como a indústria automobilística estão entre as mais afetadas pela situação.

No Brasil, a pressão gerada pela escassez de insumos foi intensificada pela desvalorização do real ante o dólar. A moeda americana subiu em meio a turbulências na área política protagonizadas pelo governo Jair Bolsonaro (PL).

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O câmbio elevado também encareceu os combustíveis para os brasileiros. Isso ocorreu porque o dólar é levado em consideração pela Petrobras na hora de definir os preços nas refinarias de itens como gasolina e óleo diesel.

A inflação ainda foi turbinada pelos choques climáticos ao longo do ano passado. A severa crise hídrica que atingiu o país aumentou os custos para geração de energia elétrica e, como consequência, as contas de luz dos consumidores.

Além disso, a seca, aliada ao registro de geadas, encareceu alimentos.

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Em 2022, o clima adverso volta a causar preocupação entre economistas. O temor é motivado pela estiagem que castiga lavouras no Sul e em parte do Centro-Oeste. Com os prejuízos no campo, há perspectiva de novas pressões sobre os preços de parte dos alimentos nas cidades.

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Para tentar conter a inflação, o BC vem subindo a taxa básica de juros. O efeito colateral da Selic mais alta, atualmente em 9,25% ao ano, é inibir investimentos produtivos e consumo, já que as linhas de crédito ficam mais caras.








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