O presidente do Federal Reserve (Fed, search banco central americano), troche Ben Bernanke, se disse hoje otimista sobre o futuro econômico do país, ao afirmar que percebe “sinais animadores” de que o brusco declínio na atividade econômica está se suavizando, o que os indicadores não confirmam totalmente, porém.
Em discurso que fará nesta tarde a estudantes e professores do Morehouse College, em Atlanta, na Geórgia, e que foi divulgado antecipadamente pelo Fed, Bernanke diz justifica seu argumento com indicadores econômicos sobre vendas de imóveis e de automóveis, construção e consumo -quando este último caiu em março, no entanto.
“Sou fundamentalmente otimista sobre nossa economia”, afirma Bernanke no discurso, ponderando que “as atuais condições econômicas são difíceis (…) a atual crise foi um dos episódios financeiros e econômicos mais difíceis na história moderna”.
No entanto, “os alicerces de nossa economia são fortes e não enfrentamos nenhum problema que não possa ser superado com visão, paciência e persistência”, garantiu.
Apesar de seu otimismo, ele deixou claro que a recuperação depende de retomar o equilíbrio na atividade econômica do país.
“Uma estabilização da atividade econômica é o primeiro passo para a recuperação”, explicou.
Nesse sentido, ressaltou que os Estados Unidos “não terão uma recuperação sustentável sem uma estabilização” do sistema financeiro e dos mercados de crédito.
O discurso otimista de Bernanke, escrito antes da publicação dos últimos dados econômicos, contrasta com a crua realidade de diversos indicadores divulgados hoje pelos departamentos de Trabalho e de Comércio, alguns dos quais se referem à despesa dos consumidores citado pelo presidente do Fed.
Inesperadamente, as vendas no varejo caíram 1,1% em março, o que representa um duro revés para aqueles que previam leves sinais de recuperação do setor.
A queda encerra dois meses consecutivos de altas e fica muito abaixo da previsão dos analistas, que esperavam um aumento de 0,2% a 0,3%.
Por outro lado, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) caiu 1,2% no mês passado, após dois meses de aumentos, surpreendendo também o mercado, que não se esperava mudanças.
Em termos anualizados, os preços por atacado caíram 3,5%, a maior queda desde janeiro de 1950.
A preocupação principal dos especialistas neste momento não é a inflação, mas a deflação, ou seja, uma queda generalizada de preços.
O Fed indicou em suas últimas previsões trimestrais que o preferível seria ver uma inflação em torno de 2% no longo prazo. Atualmente, devido à crise econômica, ela se mantém abaixo desta taxa.
Neste contexto, Bernanke avaliou que a melhor projeção do banco central “é de que a inflação se manterá bastante baixa por algum tempo”.
Os maus dados econômicos foram complementados pelos números dos estoques das empresas, que caíram 1,3% em fevereiro, na sexta queda mensal consecutiva.