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Economia

Presidente de CPI diz que vazadores de dados do caso Master fizeram bem ao país

“[Os vazadores] fizeram um bem porque esses vazamentos interessam a toda a população. Agora, como presidente da CPI, sou muito claro, e o relator também, que não temos nenhum tipo de informação que foi publicizado diante do sigilo que nos chegou”, disse o senador Carlos Viana

Redação Jornal de Brasília

09/03/2026 18h28

carlos viana podemos senador

Senador Carlos Viana. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

CONSTANÇA REZENDE
FOLHAPRESS

O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse nesta segunda-feira (9) que os responsáveis pelos vazamentos de dados do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, de quebras de sigilo e de outras informações das investigações “fizeram um bem ao país”.

Apesar disso, Viana afirmou em entrevista a jornalistas que não é possível dizer que os vazamentos aconteceram pela comissão, que o colegiado não divulgou nada e que a presidência não assinou a liberação dos dados.

“[Os vazadores] fizeram um bem porque esses vazamentos interessam a toda a população. Agora, como presidente da CPI, sou muito claro, e o relator também, que não temos nenhum tipo de informação que foi publicizado diante do sigilo que nos chegou”, disse.

Viana também afirmou que os dados foram manuseados por muitas pessoas.

“Os dados chegaram à CPI, foram para a presidência do Senado, depois para a Polícia Federal e voltaram à CPI. Ou seja, nós temos dezenas de pessoas que podem ter tido acesso e ter feito o vazamento”, declarou.

Já ao iniciar a reunião da comissão desta segunda, Viana declarou ser “inadmissível” a divulgação de dados sigilosos e que adotará medidas pertinentes, caso seja comprovado que foi pela CPI.

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou na sexta-feira (6), a abertura de um inquérito para apurar os vazamentos. A medida atendeu a um pedido da defesa do banqueiro que manifestou preocupação com a situação.

Entre as mensagens divulgadas, há nove mensagens trocadas com o ministro Alexandre de Moraes, no dia em que o banqueiro foi preso pela primeira vez. Essas informações foram publicadas pelo jornal O Globo e confirmadas pela Folha.

Nas conversas, o empresário narrava negociações para tentar salvar o Master e o ministro respondia por mensagens de visualização única.

Moraes divulgou duas notas negando ter recebido as mensagens. Na primeira, disse tratar-se de “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo”.

Na segunda, a assessoria do STF diz que as mensagens de Vorcaro estão vinculadas “a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos” e não ao ministro.

Em outras mensagens trocadas com a sua então namorada, a influenciadora Martha Graeff, Vorcaro narra um encontro com o presidente Lula (PT) em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, em que fala que “foi ótimo”. A reunião aconteceu antes do escândalo de fraude financeira ser conhecido do público.

Também foram expostas mensagens de teor íntimo trocadas com Martha. Outros documentos que fazem parte da investigação e foram divulgados mostram gastos milionários de Vorcaro com festas e viagens dos ex-namorados.

A defesa do empresário pediu ao STF acesso integral aos elementos técnicos das perícias realizadas nos celulares, que foram apreendidos no âmbito da operação Compliance Zero, que investiga as operações do Master.

O objetivo, segundo nota divulgada pelos advogados do banqueiro, é realizar uma “análise independente por assistente técnico da defesa”, ou seja, fazer uma perícia própria do material, além de identificar possíveis ilicitudes na obtenção das provas.

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