NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira (6) que o cenário internacional ainda é muito volátil e, por isso, a estatal ainda vai esperar para decidir por reajustes nos preços internos dos combustíveis.
Nesta sexta, a cotação do petróleo Brent superou os US$ 90 por barril pela primeira vez desde abril de 2024, diante do agravamento do conflito no Oriente Médio. A defasagem entre os preços internos e externos dos combustíveis disparou.
Na abertura do mercado desta sexta, o diesel vendido pela estatal custava R$ 2,04 por litro a menos do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). Na gasolina, a diferença era de R$ 0,69 por litro.
“Nesse momento, a gente se pergunta qual a tendência [de preços do petróleo], onde isso vai ficar, é spike [pico] momentâneo?”, disse Magda, em encontro com analistas para detalhar o resultado financeiro de 2025. “Esta pergunta ainda não está respondida.”
A presidente da Petrobras reforçou que a política comercial da companhia não prevê o repasse imediato de alta de preços no exterior, com o objetivo de evitar trazer volatilidades internacionais para a economia brasileira.
Ela afirmou que, se a alta de preços for alta e duradoura, a Petrobras terá que fazer repasses. “Mas, nesse momento, a gente não tem certeza sequer dessa premissa”, repetiu.
Outros fornecedores ao mercado interno, como importadores e refinarias privadas, já começaram a repassar o aumento de custos aos postos. Maior refinaria privada do país, a Refinaria de Mataripe promoveu dois reajustes no diesel e um na gasolina após o início do conflito.
O diretor de Comercialização e Logística da Petrobras, Claudio Schlosser, disse que a área técnica da empresa emite relatórios diários com análises do comportamento do petróleo, do dólar e de preços dos concorrentes para avaliar o cenário.
A “foto do momento”, disse ele, é que o resultado ainda é favorável à Petrobras, com aumento de margens sobre suas exportações de petróleo. Em 2025, a empresa bate recorde de vendas externas, com 765 mil barris vendidos por dia.
O executivo afirmou ainda que a Petrobras tem uma posição privilegiada para enfrentar o cenário de aumento de fretes provocado pelo fechamento do Estreito de Hormuz, já que cerca de 30% de sua frota de petroleiros tem contratos de longo prazo.
Schlosser disse que a estatal compra petróleo leve da Arábia Saudita, que segue sendo entregue por rota alternativa ao estreito. “Estamos tranquilos, temos estoque bastante significativo de óleo”, acrescentou.
A Petrobras registrou lucro de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 201% em relação ao ano anterior, que havia sido fortemente impactado por efeitos contábeis da desvalorização do real. A companhia anunciou ainda mais R$ 8,1 bilhões em dividendos a seus acionistas.