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Economia

Presidente da CBIC revela preocupação com ideia do BC para reestruturar crédito imobiliário

Como forma de estimular os negócios, o BC está propondo que os bancos captem recursos no mercado, via emissão de Letras de Crédito Imobiliário (LCI)

Redação Jornal de Brasília

01/08/2025 22h21

banco central

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

São Paulo, 01 – O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, disse que o Banco Central (BC) tem uma proposta inovadora de reestruturação do funding para o crédito imobiliário, mas que isso despertou preocupações para os empresários da construção, que pediram a adoção de medidas transitórias.

Como forma de estimular os negócios, o BC está propondo que os bancos captem recursos no mercado, via emissão de Letras de Crédito Imobiliário (LCI), e, com isso, abasteçam as linhas de financiamento para a compra e a construção de moradias a taxas de juros reduzidas. Em troca, os bancos ficariam autorizado a tomar o mesmo valor da caderneta para aplicar de forma livre, como em outras modalidades de empréstimos em que pode cobrar juros maiores (cheque especial, consignado, financiamento veicular, etc).

A lógica é estimular os bancos a ampliar o financiamento da habitação a juros reduzidos para terem o direito de pegar mais recursos da caderneta e abastecer as linhas em que lucram mais. A medida iria diminuir naturalmente o compulsório bancário. Pelas regras atuais, 65% dos depósitos da poupança vão para os financiamentos imobiliários, enquanto 20% são guardados como colchão de liquidez na forma de compulsórios, e só 15% podem ser usados livremente pelos bancos.

“É uma ideia inovadora, mas temos a preocupação de que não haja menos recursos do que hoje, ou não faria sentido correr o risco”, ponderou Correia. “Outra preocupação é que a taxa de juro para os clientes e para as empresas não fique maior”.

O presidente da CBIC disse que reiterou ao BC a preferência por uma proposta que já foi apresentada há meses, que é a liberação simples de 5% dos depósitos compulsórios como forma de dar um alívio à oferta de crédito imobiliário.

A outra sugestão é que outros 5% do compulsório sejam usados como forma de testar a consistência do projeto do próprio BC. “Em vez de mudar de maneira rápida, que se vá experimentando para se fazer uma transição de forma plena”, comentou.

Segundo Correia, o BC não apresentou um cronograma para implantação do novo sistema de funding. Uma nova rodada de reuniões está prevista para ocorrer ainda nesta semana.

Estadão Conteúdo

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