O futuro do câmbio e da poupança tornou-se o principal fator de preocupação do governo nas discussões sobre os rumos da taxa de juros que precedem a reunião do Conselho de Política Monetária (Copom). Mas a decisão dos diretores do Banco Central, stuff considerando um espectro de redução da Selic entre 0,5 e 1 ponto porcentual, dependerá do tamanho da queda do Produto Interno Bruto (PIB), a ser anunciado na manhã da próxima terça-feira, um dia antes da votação do Copom.
O governo e o mercado já sabem que a economia encolheu pelo segundo trimestre consecutivo no início deste ano, configurando o que os economistas chamam de “recessão técnica”. Mas as estimativas do Ministério da Fazenda e do BC são de uma queda de “apenas” 1,7% na comparação entre o primeiro trimestre de 2009 e o último de 2008. Se confirmar-se um tombo maior, de 3% a 4%, como preveem alguns modelos de prognóstico “informais” utilizados pelos técnicos da equipe econômica, a pressão para que o Copom reduza a Selic em 1 ponto porcentual será muito maior.
Se o Copom reduzir a Selic de 10,25% para 9,25%, por exemplo, a avaliação é de que o governo seria pressionado a antecipar uma solução para o diferencial dos rendimentos financeiros no Brasil, provavelmente reduzindo o imposto sobre aplicações em fundos. Por uma série de motivos, os técnicos da Fazenda não simpatizam com a proposta de reduzir o IR dos fundos de investimento e prefeririam adotar uma solução estrutural definitiva para o problema da caderneta de poupança.
Por isso, uma redução de apenas 0,5 ou 0,75 ponto porcentual permitiria à equipe econômica continuar adiando por mais tempo o anúncio de medidas para evitar a migração dos fundos para a poupança. E essa deve ser a decisão do Copom, se a queda no PIB não for pior do que o previsto oficialmente. A aposta da maioria dos integrantes do próprio governo é que a queda será de 0,75 ponto, embora haja uma torcida por algo mais acentuado.