A Polícia Federal (PF) anunciou que abrirá um inquérito policial para apurar se houve vazamento de informações sigilosas sobre a Operação Persona. Em nota, discount a Superintendência da PF em São Paulo afirma hoje que não se pronunciou sobre o andamento das investigações e que o vazamento, se houver, configura infração criminal.
A Operação Persona, deflagrada em outubro pela PF com a Receita Federal do Brasil e o Ministério Público Federal, teve o objetivo de desarticular um esquema de fraude que envolveria a Cisco Systems e empresários brasileiros. A Cisco é uma multinacional norte-americana do ramo de serviços e equipamentos de alta tecnologia para redes de computadores empresariais, internet e telecomunicações.
Uma reportagem publicada ontem no jornal Folha de S. Paulo afirma que documentos apreendidos pela Polícia Federal e gravações de conversas telefônicas indicam que a Cisco Systems doou R$ 500 mil ao Partido dos Trabalhadores (PT) usando duas empresas como “laranjas”.
Segundo interpretação de policiais, diz o texto, “a Caixa Econômica Federal alterou o edital de leilão eletrônico para que a empresa que distribui produtos da Cisco, a Damovo, vencesse a disputa”, em troca da doação. O contrato teria valor total de R$ 9 milhões. O banco e o PT negam a irregularidade.
Segundo a reportagem, a PF apreendeu, durante a Operação Persona, dois recibos de R$ 250 mil referentes a doações feitas pela ABC Industrial e pela Nacional Distribuidora de Eletrônicos. A matéria informa que “são fartos os indícios de que as empresas [ABC e Nacional] são de laranjas, segundo as investigações”.
De acordo com a matéria da Folha, em ligações interceptadas pela PF, dois funcionários da Cisco – Sandra Tumelero e Carlos Carnevali Júnior – falavam das doações. Carnevali Junior é filho de Carlos Carnevali, que foi preso durante a Operação Persona.
Na última quinta-feira, antes da publicação da reportagem, a Cisco publicou um comunicado em sua página na internet informando o afastamento de Tumelero e Carnevali Júnior. No comunicado, a empresa afirma que a decisão foi motivada por “descobertas preliminares no processo de investigação interna”. A Cisco informou também que os dois ficarão em licença remunerada até que sua apuração seja concluída.
O PT publicou nota oficial ontem em seu site afirmando que as informações contidas no jornal são “todas baseadas em ilações e em declarações inverídicas de pessoas não-identificadas.” De acordo com o texto, “até o momento o partido não recebeu qualquer comunicação formal da Polícia Federal de que estaria sendo investigado, oportunidade em que poderia esclarecer eventuais suspeitas. Estranha [o partido], portanto, que a PF tenha chegado às conclusões a que se refere a Folha.”
O partido confirmou que recebeu as doações das duas empresas citadas na reportagem via transferência bancária, e afirmou que os valores constarão da prestação de sua prestação de contas que será apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O PT declarou ainda que não vincula doações a processos licitatórios ou concorrências no serviço público, nem autoriza alguém a proceder dessa maneira em nome do partido.
A Caixa informou, por meio de nota de sua assessoria de imprensa, que a afirmação da Folha de S.Paulo de que o edital foi alterado para beneficiar a empresa Damovo é falsa. “A Folha de S. Paulo manipula a informação, confunde seus leitores entre os diferentes itens do edital de licitação e sustenta um jornalismo acusatório sem direito à contestação da outra parte, distorcendo informações que são públicas e estão à disposição de qualquer cidadão no site da Caixa”, diz o comunicado.
A nota informa ainda que a empresa mandou abrir processo de auditoria interna assim que as supostas irregularidades foram noticiadas pela imprensa, há mais de 15 dias e que , com base na Lei de Imprensa, a Caixa pediu a publicação integral da nota, com igual destaque ao dado na matéria.