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Economia

Pix alcança 42% do e-commerce; parcelamento cresce no exterior, diz pesquisa da Global Payments

Redação Jornal de Brasília

07/05/2026 10h10

Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Luana Franzão
Folhapress


O Pix respondeu por 42% do valor transacionado no e-commerce brasileiro e por 34% das transações em pontos de venda em 2025, segundo o Global Payments Report 2026, estudo anual da Global Payments —empresa que concluiu a compra da Worldpay em janeiro deste ano— que analisa o comportamento de consumidores em 42 países.

A previsão é que o método A2A (“account to account”, ou entre duas contas, como o Pix) atinja 44% do e-commerce e 46% dos pontos de vendas até 2030. O Pix posiciona o Brasil como “case” para o mercado global de pagamentos instantâneos em crescimento, segundo análise de Juan Pablo D’Antiochia, diretor-geral da América Latina da companhia.

Apesar do avanço do sistema criado pelo Banco Central brasileiro, os cartões de crédito seguem como o meio de pagamento que transiciona os maiores valores no mercado brasileiro. Em 2025, cartões de crédito representaram 40% do e-commerce e 31% dos PDVs (pontos de vendas), impulsionados pelo parcelamento e por programas de benefícios.

O uso dos brasileiros de carteiras digitais, por sua vez, ainda fica abaixo da média global: responde por apenas 10% do e-commerce e 12% dos PDVs —contra 56% e 33%, respectivamente, nas médias mundiais. As carteiras brasileiras refletem o mercado geral, sendo financiadas principalmente por cartões e pelo próprio Pix.

Globalmente, as carteiras digitais são o principal meio de pagamento, respondendo por 56% do e-commerce e 33% dos PDVs em 2025.

Os pagamentos A2A representam 7% do e-commerce e 4% dos PDVs globalmente. A projeção é de que os aplicativos de pagamento, categoria que engloba carteiras digitais, A2A e BNPL, representem 46% do valor transacionado globalmente nos PDVs até 2030, contra 37% em 2025, crescimento de 8% ao ano.

Pix como modelo
O modelo A2A se espalha pela América Latina, onde o Pix serviu de referência para outros sistemas nacionais. Na Argentina, o Transferencias 3.0 já representa 15% do e-commerce e 10% do valor transacionado nos PDVs.

Na Colômbia, o banco central lançou o Bre-B em outubro de 2025 — um sistema de pagamentos instantâneos via QR code que pode ser usado tanto online quanto presencialmente. A previsão é que o A2A colombiano atinja 41% do e-commerce até 2030.

No Peru, o Banco Central firmou parceria para criar um sistema semelhante ao UPI indiano, com o objetivo de incluir financeiramente mais de um terço da população adulta que ainda não possui conta bancária.

Expansão do parcelamento


Mais tradicionais na América Latina e outras regiões emergentes, formas de pagamento parcelado ganham mais espaço nos Estados Unidos e na Europa. “O mundo está se parcelando”, afirma D’Antiochia.

O modelo “compre agora, pague depois” —conhecido pela sigla BNPL, do inglês “buy now, pay later”— segue em expansão global e já respondeu por 4% do e-commerce mundial em 2025, com projeção de chegar a 5% até 2030, o equivalente a US$ 500 bilhões em transações.

O relatório aponta que o BNPL deixou de ser uma categoria isolada e passou a ser incorporado diretamente às principais carteiras digitais do mundo: Alipay, WeChat Pay, PayPal e Mercado Pago já oferecem a modalidade em seus ecossistemas.

Pioneiros do segmento como Klarna, Affirm e Afterpay, por sua vez, diversificaram seus serviços para além do parcelamento, passando a emitir cartões, oferecer contas bancárias e programas de recompensas.

Os consumidores europeus são os maiores usuários globais da modalidade, com 9% do valor transacionado no e-commerce, mais do que o dobro da média global. A Suécia lidera com 25%, seguida por Noruega e Alemanha. No Brasil, a cultura do parcelamento no cartão de crédito cumpre função semelhante, o que limita a penetração de marcas independentes de BNPL no mercado local.

Uso em espécie


O dinheiro em espécie ainda é mais usado na América Latina do que a média global. Enquanto os PDVs mundiais registram 14% das transações em papel-moeda, a região registra 23%. Brasil (12%), Chile (16%) e Argentina (17%) estão mais próximos da média global, mas México (40%), Colômbia (32%) e Peru (30%) lideram o uso.

No México, o dinheiro em espécie representa 9% do e-commerce e o país tem o maior índice global de pagamento pós-venda, com consumidores que fazem pedidos online e pagam em dinheiro em lojas de conveniência como Oxxo e 7-Eleven.

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