São Paulo, 02 – A cautela com relação a uma possível reação do governo Donald Trump à eventual condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e a alta de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, pouco acima das projeções do mercado, impactaram o câmbio e a Bolsa nesta terça, 2.
O temor de novas sanções dos EUA fez com que o real apresentasse o pior desempenho ante o dólar entre moedas latino-americanas, ao lado do peso chileno. A moeda americana subiu no exterior com a crescente preocupação com a situação fiscal de grandes economias, especialmente na Europa. No final do dia, fechou cotada a R$ 5,47, com alta de 0,64%.
“Os juros longos subiram em todo o mundo, em um movimento que começou com o Reino Unido, com as preocupações fiscais. Isso acabou reverberando no mercado de moedas, levando a uma alta do dólar”, disse o economista-chefe da corretora Monte Bravo, Luciano Costa.
O ambiente de aversão ao risco no exterior e o PIB pressionaram os juros futuros também no Brasil. A taxa de contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,93% para 13,98%, enquanto o DI de janeiro de 2028 passou de 13,16% para 13,36%. “Essa alta (no DI de 2027) é em boa parte devida ao PIB”, disse Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura. “Para validar as teses de que o Copom vai cortar os juros cedo, o PIB precisava ter vindo mais fraco.”
Na esteira da queda das Bolsas americanas, o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, engatou ontem o segundo pregão seguido de queda, desta vez com baixa de 0,67%, aos 140.335 pontos, acumulando queda de 0,77% na semana. No ano, a Bolsa sobe 16,67%.
Estadão Conteúdo