LEONARDO VIECELI E EDUARDO CUCOLO
RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A economia brasileira fechou o ano de 2025 com crescimento acumulado de 2,3%, apontam dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Com o resultado, o PIB confirma o quinto ano consecutivo de alta, mas em um ritmo inferior ao verificado nos quatro anos anteriores, quando a expansão ficou em 3% ou mais. Em 2024, o avanço foi de 3,4%.
A desaceleração tem sido chamada de suave por analistas e era aguardada devido ao cenário de juros altos para conter a inflação no país.
Analistas do mercado financeiro projetavam alta de 2,3% para 2025, conforme a mediana das estimativas coletadas pela agência Bloomberg. O intervalo das previsões ia de 2,2% a 2,5%.
O IBGE também divulgou nesta terça dados do quarto trimestre de 2025, quando o PIB teve variação positiva de 0,1% em relação aos três meses imediatamente anteriores.
Nesse recorte, o mercado esperava taxa positiva de 0,1%, segundo a mediana da Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de -0,2% a 0,4%.
O dado mostra o PIB praticamente estagnado na reta final de 2025. A variação havia sido nula (0%) no terceiro trimestre, segundo números revisados pelo IBGE a taxa divulgada inicialmente havia sido de 0,1%.
O BC (Banco Central) iniciou em setembro de 2024 um ciclo de aumento na taxa básica de juros, a Selic, que chegou a 15% ao ano em junho de 2025. O patamar está inalterado desde então.
A Selic de dois dígitos encarece o crédito e tende a esfriar a demanda por bens e serviços com o passar do tempo. Assim, espera-se que a pressão sobre os preços também ceda.
O crescimento do PIB ficou mais concentrado no início de 2025, quando houve impulso da safra recorde de grãos.
Além da produção agrícola, a recuperação do emprego e da renda e o desempenho de atividades como a indústria extrativa também serviram de incentivo para a economia.
Com o fim da safra e os juros elevados, o PIB passou a mostrar perda de ritmo ao longo do ano passado.
GUERRA NO IRÃ E PIB EM 2026
A divulgação dos dados ocorre no momento em que a guerra no Irã provoca incertezas no mundo.
O conflito já pressionou as cotações de petróleo e, caso se prolongue, pode elevar as exportações de países como o Brasil, mas com possíveis reflexos na inflação, de acordo com economistas. A commodity influencia os preços de combustíveis.
Na mediana, as previsões do mercado financeiro indicam alta de 1,82% para o PIB brasileiro em 2026, conforme o boletim Focus publicado pelo BC na segunda (2).
Já a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda divulgou em fevereiro uma estimativa de expansão de 2,3% para este ano.
Economistas veem estímulo menor da safra em 2026 e impacto ainda restritivo dos juros sobre o consumo e os investimentos produtivos.
O mercado espera que o BC comece a cortar a Selic neste mês, mas a taxa tende a fechar o ano em dois dígitos. A estimativa do Focus está em 12% para o final de dezembro.
Em ano eleitoral, o governo Lula (PT) aposta em medidas vistas como possíveis estímulos ao consumo, incluindo a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, além da manutenção da política de valorização do salário mínimo.
IBGE DIVULGA PIB APÓS NOVA TURBULÊNCIA
O IBGE publicou os resultados do PIB após mais um capítulo de sua crise interna, que coloca o presidente Marcio Pochmann e parte dos servidores de lados opostos.
O motivo da nova turbulência foi a retirada da pesquisadora Rebeca Palis do cargo de coordenadora de contas nacionais. O departamento é o responsável pelo cálculo do PIB.
A direção comunicou a decisão em 19 de janeiro, pegando o corpo técnico de surpresa. Pelo menos três pesquisadores da mesma área entregaram cargos de gerência depois do anúncio. O servidor Ricardo Montes de Moraes foi escolhido como substituto de Rebeca.
A troca provocou grande repercussão porque a equipe chefiada pela pesquisadora conduzia processo considerado complexo de revisão nas contas nacionais.
A atualização é recomendada para captar de tempos em tempos as mudanças na economia, como transformações digitais e uso do meio ambiente.
Em janeiro, o sindicato dos servidores do IBGE (Assibge) chegou a falar em “caça às bruxas” no instituto.
Rebeca foi um dos nomes que haviam assinado manifestações de técnicos com críticas à direção anteriormente.
Após a polêmica, Pochmann usou o X (ex-Twitter) para defender a sua gestão em uma série de postagens. Ele afirmou que o instituto ia “muito bem” e citou “mentiras patrocinadas por algumas fontes”.