MAELI PRADO
FOLHAPRESS
A atividade econômica dá sinais cada vez mais claros de desaceleração, com dados que apontam para o esfriamento do mercado de trabalho e o enfraquecimento do consumo em meio ao elevado comprometimento de renda das famílias, afirma o Bradesco.
Nesse cenário, o Banco Central terá espaço para cortar a Selic, taxa básica de juros, dos atuais 13,75% a 13,25% ao ano até o final de 2026, projeta o banco, que revisou para baixo a expectativa da taxa. A instituição financeira manteve a projeção para a taxa em 11% em 2027.
Para o Bradesco, a economia brasileira crescerá 1,7% neste ano (em vez dos 1,9% da expectativa anterior) e 1% no ano que vem (ante 1,3% da última projeção).
“Existe uma fraqueza do consumo importante, que contrasta com o mercado de trabalho sólido que temos visto, e isso tem a ver com o endividamento das famílias e principalmente com o elevado comprometimento de renda”, afirmou Fernando Honorato, economista-chefe do banco em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira (21).
Conforme o banco, há sinais de que o mercado de trabalho está esfriando como consequência da perda de tração do consumo.
“Estamos vendo os sinais de esfriamento da economia em setores mais vulneráveis. Entre as empresas, as únicas que ainda estão contratando são aquelas de grande porte”, afirmou a economista Myriã Bast, Superintendente Sênior de Pesquisa Econômica do Bradesco.
Segundo ela, há queda de rendimento dos informais na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). “Os dados ainda estão estáveis, mas os riscos em relação à atividade econômica são todos para baixo.”
Apesar disso, a instituição financeira vê como muito baixa a chance de uma recessão da economia em 2027.
O Bradesco acredita agora que a inflação finalizará o ano em 4,9% (contra 5% da última projeção) e manteve o indicador de preços em 4,1% no ano que vem. O banco manteve a projeção do dólar em R$ 5 para o final de 2026 e R$ 5,20 no final de 2027.
Do lado dos riscos para a inflação, a instituição financeira vê como principais o El Niño, o fim da escala 6×1, o impacto da alta do petróleo e a reforma tributária. “Desses riscos, o mais concreto é as commodities em alta, há pressão a caminho”, afirmou Honorato.
O Bradesco trabalha com a premissa de que o arcabouço fiscal será cumprido no ano que vem, mesmo que não haja mudanças implementadas pelo próximo governo. “A questão é se o mercado aceitará apenas o cumprimento do arcabouço como suficiente”, disse o economista-chefe.
PIB dá sinais claros de desaceleração, e Selic deve cair a 13,25% até o fim do ano, diz Bradesco
Banco Central manteve a projeção para a taxa em 11% em 2027
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