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Economia

Petróleo volta a subir e superar US$ 100 após Israel divulgar morte de comandante que fechou Hormuz

O contrato de junho iniciou a sessão sendo negociado por volta de US$ 98, mas passou a subir a partir das 4h, até ultrapassar os US$ 100

Redação Jornal de Brasília

26/03/2026 15h24

petróleo

Foto: Reprodução/Instagram

FOLHAPRESS

O preço do petróleo voltou a superar US$ 100 nesta quinta-feira (26), após ter ficado o dia anterior abaixo deste patamar. O barril Brent, referência mundial, chegou a ser negociado a US$ 102,48 (R$ 536,36) às 13h30 (horário de Brasília), uma alta de 5,36% em relação a quarta-feira.

O contrato de junho iniciou a sessão sendo negociado por volta de US$ 98, mas passou a subir a partir das 4h, até ultrapassar os US$ 100. O barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era vendido a US$ 95,10 (R$ 497,73), valorização de 5,30%, às 14h05.

O aumento no preço do petróleo ocorreu logo após o ministro de Defesa de Israel ter anunciado que ataques do país mataram o chefe do braço naval da Guarda Revolucionária, Alireza Tangsiri, o homem responsável por coordenar a militarização e virtual fechamento do estreito de Hormuz. A informação ainda não confirmada pelo Irã.

Segundo o governo israelense, um ataque de precisão matou Tangsiri e outros comandantes navais, provavelmente em Bandar Abbas, sede da principal base da Guarda em Hormuz.

Tagsiri cuidava da até aqui bem-sucedida tática da teocracia em relação a Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e GNL (gás natural liquefeito) e que está virtualmente bloqueada desde 28 de fevereiro.

Os iranianos vetam a passagem de navios considerados associados aos inimigos, ameaçando explodi-los, e provavelmente minaram parte da região. No Irã, a Guarda Revolucionária é um ente à parte das Forças Armadas, que pelas informações disponíveis estão sendo mais poupadas na guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel há quase um mês.

Antes do anúncio de Israel, o presidente dos EUA, Donald Trump, repetiu que o Irã estava “implorando” para fazer um acordo para encerrar a guerra. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reafirmou que o país não tem intenção de realizar negociações.

O quadro incerto levou os investidores a voltarem a se preocupar com uma possível escassez no fornecimento de petróleo e elevaram o preço.

A interrupção prolongada no estreito poderia manter os preços de energia e a inflação elevados, forçando os bancos centrais a apertar a política monetária, avaliou Pascal Koeppel, diretor de investimentos da Vontobel SFA.

Na quarta-feira, o jornal The New York Times informou que o Pentágono ordenou que cerca de 2.000 soldados da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército comecem a se deslocar rumo ao Oriente Médio para dar opções militares adicionais para eventuais ações no Irã.

“Se víssemos tropas terrestres (americanas) em ação, isso me deixaria muito mais nervoso”, disse Koeppel. Se isso acontecesse, “reduziríamos o risco… e migraríamos mais para títulos governamentais de curto prazo e ouro, é claro”.

“Se você olhar o que os EUA querem alcançar, o que Israel quer alcançar e o que Teerã quer alcançar, será muito difícil conciliar todos esses pontos”, comentou Matthias Scheiber, gestor sênior de portfólio e chefe da equipe de múltiplos ativos da Allspring Global Investments.

O quadro impactou também nas principais Bolsas do mundo, que caíram nesta quinta após três dias de alta. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, despencou 1,3%, com a tendência seguida em Frankfurt (-1,64%), Londres (-1,31%), Paris (-0,98%), Madri (-1,21%) e Milão (-0,71%).

As três Bolsas dos EUA registram perdas nesta quinta, com a Nasdaq em queda de 1,52%, a S&P 500 caía 1,1% e a Dow Jones, 0,69%, às 14h10.

Na Ásia, os principais índices fecharam em baixa. Os dois principais índices da China (CSI300 e SSEC) desvalorizaram 1,32% e 1,09%, respectivamente. A Bolsa de Tóquio perdeu 0,27%, enquanto Seul caiu 3,22%, Taiwan, 0,3%, e Hong Kong, 1,89%.

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