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Economia

Petróleo sobe mais de 2% e vai a US$ 108 após Irã negar diálogo com EUA

Brent atingiu US$ 108,73, alta de 2,81%, por volta das 11h45, depois de ter ficado em US$ 107 em toda a madrugada

Redação Jornal de Brasília

15/09/2026 15h00

plataforma de petroleo

Plataforma de petróleo em alto-mar. Foto: Divulgação/Wilson Sons

FERNANDO NARAZAKI
FOLHAPRESS

O preço do petróleo chegou a subir mais de 2% nesta terça-feira (15) e ficou na casa de US$ 108 após ter fechado a US$ 106,48 no dia anterior. O movimento foi uma reação ao anúncio do Irã que voltou a negar qualquer negociação com os EUA, apesar das declarações de Donald Trump de que estava aberto ao diálogo.

O barril Brent, referência mundial, atingiu US$ 108,73 (R$ 559,39), alta de 2,81%, por volta das 11h45 (horário de Brasília), depois de ter ficado em US$ 107 em toda a madrugada. Por volta das 13h20, a cotação estava em US$ 108,38 (R$ 557,59), uma subida de 2,55%. No mesmo horário, o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 105,32 (R$ 541,85), valorização de 3,88%.

A alta foi uma resposta do mercado às declarações de Mohsen Rezaei, chefe da principal instância de segurança do Irã, que condicionou a volta das negociações pelo fim da guerra à aceitação das exigências iranianas.

“Não se deixem distrair pelos sinais contraditórios do presidente americano, que oscila entre ‘não há negociações’ e ‘estamos dispostos a dialogar’ com o Irã… Não haverá nenhuma negociação enquanto as condições do Irã não forem atendidas. Ponto final!”, afirmou em post na rede social X (antigo Twitter).
Na segunda-feira (14), Trump afirmou que estava “aberto” a dialogar com Teerã, um dia após ter dito que não haveria negociação com o Irã até o término das eleições de meio de mandato dos EUA, marcadas para novembro.

Teerã exige de Washington o fim definitivo do conflito iniciado em 28 de fevereiro e de qualquer agressão contra o Irã e seus aliados na região, incluindo o grupo Hezbollah no Líbano.

O regime iraniano reivindica ainda o fim do bloqueio imposto a seus portos, uma indenização integral pelos danos causados pela guerra, o fim das sanções que afetam sua economia e a liberação, sem condições, de seus ativos congelados no exterior.

Sem uma discussão pelo acordo de paz, a tensão continua na região após os ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, a vários alvos na Arábia Saudita, incluindo refinarias e oleodutos, na segunda-feira. O governo saudita afirmou nesta terça que responderá com “firmeza” às ofensivas do grupo iemenita.

O príncipe-herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, dirigente de fato do reino, se reuniu com o chefe do Centcom (Comando Central dos Estados Unidos), almirante Brad Cooper, para debater “os últimos acontecimentos na região”, segundo a agência de imprensa oficial saudita SPA.

No mesmo dia, o governo de Omã anunciou o adiamento de uma reunião entre Irã e países do golfo Pérsico que estava marcada para segunda-feira. O encontro debateria a situação no estreito de Hormuz, que está com o tráfego bloqueado desde o início do conflito.

Dois diplomatas da França informaram à agência de notícias Reuters que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) deve se reunir nesta terça-feira para discutir a extensão do conflito para o estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e vem sendo utilizado pela Arábia Saudita para escoar a sua produção de petróleo. Porém, desde a semana passada, os houthis vêm atacando embarcações que navegam pelo local.

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