NICOLA PAMPLONA
FOLHAPRESS
Com forte participação da Petrobras, o governo arrecadou R$ 3,5 bilhões em dois leilões de áreas para exploração de petróleo realizados nesta quarta-feira (7). A estatal foi responsável por 90% da arrecadação total ao arrematar 21 blocos.
Nos dois leilões, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) concedeu sete áreas do pré-sal e 49 áreas fora do pré-sal. A primeira oferta arrecadou R$ 504 milhões. A segunda arrecadou os R$ 3 bilhões restantes. Com participação nas duas, a estatal foi responsável por R$ 3,2 bilhões.
O gasto da Petrobras se concentrou na segunda rodada, de áreas do pós-sal. Foram R$ 3 bilhões em 19 blocos, com grande foco em uma região de águas ultraprofundas da bacia de Campos em frente à divisa entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo.
A empresa chegou a oferecer ágio de 21.025,97% por um bloco na área, que disputou com a francesa TotalEnergies. No total, arrematou oito blocos nessa região, com ágio de 10.351% sobre o preço mínimo somado dos blocos. É uma região de nova fronteira, em que ainda não há produção de petróleo.
A Petrobras apostou também na bacia do Ceará, na margem equatorial brasileira. Arrematou sete blocos em consórcio com a Qatar Energy, pelos quais pagou R$ 29 milhões e bônus de assinatura. Não há produção em águas profundas nessa bacia.
A estatal não deu entrevista após o leilão. A Petrobras também arrematou dois blocos no leilão do pré-sal, realizado durante a manhã. Nesse leilão, a ANP concedeu 7 de 13 áreas oferecidas.
Foi o maior pacote desde o início do modelo atual de leilões de áreas para exploração de petróleo no país, em 2022. Teve também o maior número de áreas arrematadas no período. Mas não houve disputa por nenhuma das áreas: os vencedores foram os únicos a apresentar proposta para cada lote.
Na avaliação de executivos do setor, o cenário reflete uma nova estratégia das petroleiras para o pré-sal.
O presidente da PPSA (Pré-Sal Petróleo SA), Luiz Fernando Paroli, disse que, como já não há áreas gigantes como no passado, as empresas optam por buscar ganhos de eficiência.
A Equinor, por exemplo, arrematou uma área próxima a Bacalhau, campo em que já produz petróleo na bacia de Santos. “É uma área que a gente já conhece”, disse a vice-presidente de Gestão de Ativos no Brasil, Letícia Andrade. “E aí existe sempre uma possibilidade de potencial sinergia.”
A Prio estreou em contratos de partilha da produção -que têm a PPSA como sócia, gerindo a participação do governo- ao arrematar duas áreas perto dos campos Wahoo e Frade, que opera na bacia de Campos.
Em nota, a empresa disse que, em caso de descoberta, pode conectar os poços à plataforma de Frade.
Houve pouca participação estrangeira no leilão de áreas fora do pré-sal: apenas as ofertas derrotadas da francesa TotalEnergies. A maior parte dos blocos foi arrematada por pequenas petroleiras brasileiras especializadas na produção de petróleo em terra.
Entre estas, a maior vencedora foi a Aguila Energy, que arrematou 14 blocos, pelos quais pagou R$ 2 milhões em bônus de assinatura. A empresa só não conseguiu mais concessões porque foi impedida de fazer novos lances por falta de garantias financeiras.
É uma empresa novata, que tem hoje sete ativos no setor -seis campos em produção e um bloco exploratório- todos na região Nordeste. No leilão desta quarta, arrematou um bloco na estreante bacia de Tacutu, em Roraima, uma nova fronteira exploratória na Amazônia.
Petrobras lidera leilões de áreas de petróleo e garante R$ 3,2 bilhões ao governo
Nos dois leilões, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) concedeu sete áreas do pré-sal e 49 áreas fora do pré-sal
Foto: Agência Brasil