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Economia

Pesquisadores pedem regras para expansão de data centers no Brasil

Em debate da SBPC, cientistas defenderam planejamento, transparência e contrapartidas para a instalação de grandes centros de dados no país.

Redação Jornal de Brasília

27/07/2026 19h42

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© Divulgação/Gov.Br

A expansão dos data centers no Brasil deve vir acompanhada de planejamento, transparência e regras que garantam benefícios ao país e reduzam impactos socioambientais. A avaliação foi feita por pesquisadores em debate realizado nesta segunda-feira (27), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Os professores Mauro Oliveira, do Instituto Federal do Ceará (IFCE), e Dan Levy, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), defenderam que a instalação de grandes centros de processamento de dados precisa ser acompanhada de políticas públicas e de maior participação da comunidade científica.

Oliveira afirmou que o Brasil corre o risco de repetir uma lógica histórica de exploração de recursos naturais sem garantir contrapartidas para o desenvolvimento nacional. Segundo ele, a discussão sobre data centers ainda está restrita a poucos setores e deveria mobilizar universidades, governo e sociedade. O pesquisador também apontou desafios relacionados ao consumo de energia, à soberania digital e ao controle da infraestrutura tecnológica.

Ele citou o projeto de instalação de um grande data center voltado à inteligência artificial no Ceará, que, segundo ele, deverá consumir cerca de 300 megawatts de potência. Para Oliveira, o país também precisa estabelecer mecanismos permanentes de monitoramento, auditoria e transparência sobre esses projetos.

Na avaliação de Dan Levy, os impactos provocados pelos data centers vão além do consumo de água e energia. Ele afirmou que também devem ser considerados efeitos como poluição sonora, pressão sobre recursos naturais, conflitos territoriais, desigualdades sociais e riscos para comunidades vulneráveis.

Levy defendeu que a transição digital e a transição ecológica não podem ser tratadas como processos independentes e que é preciso incorporar critérios de sustentabilidade, transparência e participação social. Segundo ele, as comunidades diretamente afetadas precisam participar das decisões sobre a implantação desses empreendimentos.

O pesquisador também associou a expansão dos data centers ao conceito de colonialismo digital, no qual países do Sul Global passam a fornecer recursos naturais, como energia, água e território, para sustentar a infraestrutura tecnológica de grandes empresas do Norte Global.

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