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Economia

Parcela de brasileiros que vê piora da economia sobe para 46%, aponta Datafolha

O percentual daqueles que avaliam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses subiu de 41% para 46% na comparação entre as pesquisas realizadas em dezembro do ano passado e em março deste ano

Redação Jornal de Brasília

10/03/2026 14h31

economia do brasil

Foto: Freepik

EDUARDO CUCOLO
FOLHAPRESS

A percepção dos brasileiros em relação à situação econômica do país piorou nos últimos meses, revertendo parcialmente a melhora captada no levantamento feito no final de 2025, mostra pesquisa Datafolha.

Também há mais entrevistados pessimistas sobre o futuro, inclusive sobre sua própria condição financeira, e prevendo elevação do desemprego, indicador que está nas mínimas históricas, e da inflação.

O percentual daqueles que avaliam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses subiu de 41% para 46% na comparação entre as pesquisas realizadas em dezembro do ano passado e em março deste ano.

O número está em um patamar intermediário entre o melhor resultado da gestão do ministro Fernando Haddad na Fazenda —35% nas três pesquisas de 2023, durante o primeiro ano do governo Lula 3— e os 55% verificados em abril de 2025. Haddad deixará o cargo na semana que vem para concorrer ao Governo de São Paulo.

O percentual dos que avaliam que a situação econômica do país melhorou caiu de 29% para 24%, na comparação entre as duas últimas pesquisas.

O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil, de 3 a 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Os números mostram que a percepção negativa fica próxima dos 46% em todas faixas de renda, exceto entre aqueles no grupo acima de dez salários mínimos, no qual está em 69%.

São 57% entre evangélicos (41% nos católicos), 65% entre empresários e 77% entre pessoas que pretendem votar em Flávio Bolsonaro (14% nos eleitores de Lula).

PIORA NOS PRÓXIMOS MESES

Para 35% dos entrevistados, a economia vai piorar nos próximos meses. Na pesquisa feita em dezembro, essa era a expectativa de 21%. Na anterior, em julho do ano passado, esse índice chegou a 45%.

A expectativa de melhora na questão econômica passou de 28% em julho, para 46% em dezembro e ficou em 30% na nova pesquisa.

O otimismo é maior entre pessoas com renda de até dois salários mínimos (33%) do que entre aquelas que estão no grupo acima de dez mínimos (11%); no Nordeste (36%) do que no Sudeste (25%); e entre pretos (32%) e pardos (31%) do que entre brancos (26%).

Há diferença de dez pontos entre católicos (33%) e evangélicos (23%). O otimismo predomina entre potenciais eleitores de Lula (51% esperam melhora) e é baixo nos que pretendem votar em Flávio (apenas 14% dizem que a economia vai melhorar), Romeu Zema (16%) e Ratinho Junior (17%).

Os números da pesquisa apontam uma deterioração na percepção do brasileiro em relação à economia que supera as variações verificadas na avaliação do governo, que ficou praticamente estável nos últimos meses —indicação de que a piora está mesmo ligada a fatores econômicos.

A avaliação positiva do governo Lula se manteve em 32% entre dezembro de 2025 e março de 2026, enquanto sua avaliação negativa passou de 37% para 40%, dentro da margem de erro.

O início do ano foi marcado pela confirmação de que a economia brasileira desacelerou e pelo início da guerra no Irã. Também foi um período de juros altos e aumento do endividamento das famílias e empresas. Por outro lado, houve melhora nos indicadores de renda e inflação.

ENDIVIDAMENTO E JUROS ALTO

Os dados mostram ainda aumento da insatisfação e do pessimismo do brasileiro em relação à sua própria situação financeira.

São 33% os que avaliam que a sua própria situação econômica piorou nos últimos meses —eram 26% em dezembro. O percentual dos que acham que melhorou caiu de 36% para 30% na mesma comparação.

O percentual daqueles que estão pessimistas com o seu futuro passou de 22% em julho para 10% em dezembro, e agora subiu para 14%. Os otimistas, por outro lado, eram 45% em meados de 2025, percentual que subiu a 60% no final do ano passado e caiu para 51% na pesquisa atual.

DESEMPREGO

O levantamento também mostra que 48% dos entrevistados avaliam que o desemprego vai aumentar, ante 42% no levantamento anterior sobre o tema, que neste caso foi feito em junho do ano passado.

O novo resultado é o maior patamar em termos nominais no atual mandato presidencial, embora esteja empatado na margem de erro com os 46% verificados em setembro de 2023 e março de 2024.

Para 21%, o desemprego vai cair. Eram 22% em junho. Esse é o menor valor registrado no atual governo, empatado com os 21% de abril do ano passado.

Na semana passada, o IBGE divulgou a taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro de 2026, que ficou em 5,4%. É o mesmo patamar dos três meses encerrados em outubro, período que serve de base de comparação. Esses são os números mais baixos da série histórica comparável.

Analistas do setor privado veem um mercado de trabalho ainda forte. Ainda assim, projetam ligeiro aumento do desemprego ao longo do ano.

A expectativa de aumento do desemprego é maior entre pessoas de maior renda (59% na faixa acima de dez salários mínimos) do que entre os mais pobres (46% no grupo até dois mínimos).

O percentual também é maior entre evangélicos (57%) em relação aos católicos (45%). Se destacam ainda os percentuais de estudantes (52%), empresários (64%), e eleitores de Flávio (65%).

INFLAÇÃO

Para 61% dos brasileiros, a inflação vai aumentar nos próximos meses, segundo a pesquisa Datafolha. O percentual tem se mantido em torno desse patamar nos últimos 12 meses. Eram 62% em abril e 59% em junho de 2025.

A parcela dos que acham que a inflação vai cair era de 14% em abril, 12% em junho e está agora em 11%. Para 23%, o indicador vai ficar como está (eram 24% em junho).

No mercado financeiro, a previsão é de queda da inflação. O IPCA acumulado nos 12 meses encerrados em janeiro foi de 4,44%, e a expectativa para o final de 2026 é que o índice de preços fique em 3,91%.

A pesquisa mostra ainda que, para 39% dos brasileiros, o poder de compra dos salários vai cair. Eram 36% no levantamento anterior. Para 32%, vai aumentar. Em junho, estava em 30%.

IMPOSTO DE RENDA

O levantamento não mostra impacto claro da reforma do Imposto de Renda nas avaliações da situação econômica pessoal. Entre os que já estavam isentos (renda até dois salários mínimos ou R$ 3.242 atualmente) 28% dizem que sua situação melhorou.

No grupo com renda de dois a cinco mínimos (R$ 8.105), que inclui os beneficiados pela ampliação da isenção, 32% dizem que sua situação melhorou. O número sobe para 35% na faixa de cinco a dez mínimos (R$ 16.210), embora não haja aqui pessoas desoneradas.

Já na faixa acima desse patamar —que inclui aqueles impactados pelo novo Imposto de Renda Mínimo— fica em 25%. Nessa última faixa, 30% dizem que houve piora, percentual que está próximo da média geral de 33%.

O governo ampliou a isenção para quem ganha até R$ 5.000 e reduziu o imposto para rendas até R$ 7.350. O imposto mínimo atinge neste ano quem recebe dividendos acima de R$ 50 mil/mês.

A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-03715/2026.

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