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Economia

Para sócio-fundador da SPX Capital, governo em geral não está alinhado com contenção gasto

Xavier também demonstrou confiança no ministro da Fazenda, Fernando Haddad

Redação Jornal de Brasília

22/08/2025 21h12

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Foto: José Cruz/Agência Brasil

São Paulo, 22 – O sócio-fundador da SPX Capital, Rogério Xavier, avalia que o governo brasileiro não está caminhando para a contenção de gastos. Embora veja empenho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o gestor destaca que a questão fiscal no País precisa ser endereçada e é um fator que influencia no otimismo em relação à potencial alternância de poder nas eleições presidenciais de 2026.

“Esse novo governo foi atípico. Normalmente a gente faz as ‘maldades’, encaminha as soluções nos primeiros dois anos do mandato. Nesse governo, a gente começou ao contrário, gastando R$ 200 bilhões, totalmente fora do ciclo político normal, o que preocupa o mercado. Quem garante que nos últimos dois anos o governo não continuará gastando? É um risco que a gente tem”, afirmou o executivo.

Xavier também demonstrou confiança no ministro da Fazenda, Fernando Haddad. “Ainda acredito no ministro Haddad, ele tem se empenhado em tentar equilibrar o orçamento e está comprometido com a meta, lógico que tem todo um governo jogando contra. Difícil, pois basicamente por ideologia, o governo como um todo, e não digo Lula ou Haddad, não é alinhado na direção da contenção do gasto”, afirmou Xavier, durante o evento Warren Day, na segunda-feira, 18, em São Paulo.

Segundo Xavier, a trajetória da dívida é a “bússola do Brasil”, algo que resume tudo, tanto político quanto econômico, e é necessária uma série de reformas que encaminhem e enderecem a questão do crescimento do gasto público. “As pessoas sabem, os políticos e a sociedade sabem, e essa questão fiscal está na mesa há algum tempo. Precisamos ter um encaminhamento das medidas que tornem o País sustentável. Nem acho que é tão importante que a gente chegue logo numa inversão da dívida, mas precisamos pelo menos chegar a um nível que estabilize, pois as projeções caminham numa direção de explosão”, diz.

Por outro lado, o gestor acredita que o mercado não tende a estressar tanto como se viu em 2022, pois a possibilidade real de alternância de governo nas eleições presidenciais de 2026 traz uma perspectiva de upside tão grande quanto esse “descaminho fiscal”, como chama, traz a de um downside no mercado. “Então acho que vai equilibrar”, diz.

Felipe Guerra, sócio-fundador e diretor de investimentos (CIO, na sigla em inglês) da Legacy Capital, observa ainda que apesar do foco da conversa recair sobre o Poder Executivo, é preciso considerar a participação do Poder Legislativo na questão fiscal “O Congresso também joga muito contra, com uma enorme propensão ao gasto e uma fúria por emendas que não deixa o País andar. Tem que passar por uma revisão”, afirma o gestor.

Estadão Conteúdo

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