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Economia

Para ex-BC, ‘ventos externos’ favoráveis camuflam situação fiscal brasileira

Azevedo argumentou que “ventos externos” têm beneficiado o Brasil e camuflado o agravamento da fragilidade das contas públicas.

Redação Jornal de Brasília

06/02/2026 21h33

Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Banco Central Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

São Paulo, 04 – O Brasil vive um momento de grande vulnerabilidade fiscal. Apesar disso, é muito difícil dizer quando essa fragilidade vai emergir em uma crise. “O país vive uma situação fiscal de vulnerabilidade ainda mais clara do que no ano passado”, comentou Rodrigo Azevedo, sócio da Ibiúna.

Ele afirmou que, entre os economistas, fala-se que os acidentes fiscais são graduais até que se tornem crise “abruptas”. “É o que os economistas falam: ‘gradually and suddenly'”, disse o ex-diretor do Banco Central (BC), durante coletiva de imprensa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) na quarta-feira, 4.

Azevedo argumentou que “ventos externos” têm beneficiado o Brasil e camuflado o agravamento da fragilidade das contas públicas.

Em 2024, lembra, os “ventos externos” estavam adversos. No fim daquele ano, o dólar superou os R$ 6,30. “Mas o que aconteceu depois? O Brasil deu sorte. O dólar caiu depois que o presidente americano Donald Trump assumiu, beneficiando o Brasil”, disse.

Ele pontuou que, olhando os dados fiscais, o ano de 2025 teve um desempenho pior mas que a “percepção geral foi de um ano ‘ok'”.

Em 2026, os “ventos externos” continuam favorecendo o País, segundo o gestor, e o momento é de os gestores aproveitarem as oportunidades.

Ele afirmou que é razoável esperar um aumento da demanda por fundos de ações neste ano, sobretudo depois de um janeiro com resultado tão positivo. Ele pontuou que as ações mais ligadas ao ciclo econômico não se valorizaram tanto quanto aquelas ligadas a commodities – como as blue chips Vale e Petrobras – e que, portanto, há espaço para mais ganhos na Bolsa.

Críticas de Haddad ao mercado

O ex-diretor do Banco Central e sócio da Ibiúna relativizou as declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o mercado financeiro. O ministro afirmou que ele e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, também foram alvo de críticas da “Faria Lima” quando seus nomes foram indicados aos cargos.

Haddad respondia à pergunta em entrevista à BandNews sobre a reação negativa ao nome do economista Guilherme Mello para uma diretoria do BC e, assim, uma cadeira no Comitê de Política Monetária (Copom).

Durante coletiva de imprensa da Anbima, Azevedo afirmou que os erros para baixo nas projeções econômicas do mercado financeiro – e, portanto, menos favoráveis ao governo Lula – são resultado da natureza técnica do trabalho dos economistas. Ou seja, não são propositais.

Ele afirmou que comentários como o de terça-feira de Haddad lhe parecem mais “picuinha, motivada por um momento político e desejo por exposição do que uma análise séria”.

“Uma análise séria jamais chegaria a um resultado sobre a disposição do mercado financeiro quanto à equipe econômica”, disse o ex-diretor do BC.

Estadão Conteúdo

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