O receio de que a crise das hipotecas americanas se espalhe pela economia global provocou fortes quedas hoje nas bolsas da Ásia, and da Europa, dosage da América Latina e nos próprios Estados Unidos, site apesar das intervenções dos bancos centrais de cada mercado.
O Fed (banco central americano) e os pares europeus injetaram € 61,05 bilhões (US$ 83,6 bilhões) no mercado financeiro. No fechamento da bolsa de Wall Street, o índice Dow Jones Industrial teve uma queda de 0,23% fechando a 13.239,54 unidades, uma baixa insignificante comparada aos mais de 200 pontos perdidos pela manhã.
Os investidores europeus, asiáticos e americanos ficaram preocupados com a delicada situação do crédito nos EUA por causa das “subprime” americanas, os empréstimos hipotecários com risco de inadimplência.
A tendência começou com a abertura das bolsas na Ásia, que afundaram apesar dos esforços do Banco do Japão de conter o pânico. De Tóquio a Bangcoc, de Hong Kong a Cingapura, os mercados se contagiaram com as fortes quedas de quinta-feira em Wall Street, e acabaram sofrendo perdas em torno dos 2%. As piores quedas foram em Seul, Manila e Hong Kong.
A exceção foi a Bolsa de Xangai, que hoje mal cedeu 0,1% com relação ao fechamento de quinta-feira. No outro extremo ficou o Kospi sul-coreano que, com baixa de 4,2%, tive a terceira pior queda de sua história.
Analistas citados pela agência de notícias japonesa “Kyodo” disseram que o temor aumentou por causa da iniciativa combinada dos três grandes bancos emissores do mundo para injetar liquidez no mercado, pois fez pensar que o problema é mais grave do que parecia e não alcançou o objetivo de acalmar os operadores.
Enquanto a Bolsa de Tóquio caía, o Banco do Japão injetava no mercado ¥ 1 trilhão (US$ 8,5 bilhões). A quantia foi inferior aos € 94,841 bilhões colocados no mercado pelo BCE – um montante sem precedentes – e dos US$ 24 bilhões do Fed.
Já na Europa, as bolsas fecharam em quedas acentuadas apesar da segunda injeção de liquidez feita pelo Banco Central Europeu (BCE) no mercado financeiro da zona do euro. Como as negociações coincidem em algumas horas com o pregão de Wall Street, a tendência de baixa na abertura em Nova York influenciou do outro lado do Atlântico.
De manhã, o baque nos mercados da Ásia já tinha contribuído para arrastar para baixo os principais índices. Londres liderou as quedas, com baixa de 3,7%, enquanto Frankfurt agüentou melhor e cedeu 1,5%.
O nervosismo tomou conta das bolsas européias, onde os investidores tiraram capital de aplicações de risco para investir em outras mais seguras, como a de renda variável. No mercado financeiro, as instituições de crédito tomam emprestado dos bancos centrais mas também emprestam entre elas.
Mas agora, devido ao nervosismo, muitas entidades de crédito européias não estão mais dispostas a emprestar dinheiro aos concorrentes sem saber se estão afetados. O temor levou muitos operadores a vender ações.
Além disso, os investidores recolheram lucro nos setores que tinham subido com força até o início desta correção na renda variável há duas semanas, como o de maquinaria, disse à Efe Achim Matzke, especialista em rendas variáveis do alemão Commerzbank.
Na Bolsa de Frankfurt, a fabricante alemã de veículos industriais MAN liderou as perdas com queda de 4,2%. Na zona do euro, os títulos mais atingidos em bolsa foram os de matérias-primas, (-4,8%), seguido dos bancos (-3,5%) e dos de companhias de turismo e lazer (-3,4%).
Com a influência de Ásia e Europa, os mercados nos EUA já abriram em nova e forte queda. Vinte minutos após a abertura, o Dow Jones Industrial, indicador mais importante de Wall Street, caía 129,99 pontos (0,98%), para 13.140,69.
Das empresas negociadas no mercado nova-iorquino a essa hora, 196 subiam, 1.343 caíam e 60 mantinham-se estáveis. Ao mesmo tempo, a companhia de créditos hipotecários Countrywide advertiu que os problemas no mercado começaram a afetar suas operações.
A América Latina também foi afetada com o pânico em Wall Street. Em São Paulo, o Ibovespa fechou em queda de 1,48%, aos 52.638 pontos. No mercado cambial, o dólar subiu 1,24%, para R$ 1,949 para compra e R$ 1,951 para venda.
No México, o Índice de Preços e Cotações (IPC) – principal indicador da Bolsa Mexicana de Valores (BMV) – caiu 1,55%, e fechou em 29.420,47 pontos. A Bolsa de Comércio de Buenos Aires teve uma queda de 1,65% no indicador Merval, aos 2.053,13 pontos. O Índice Geral da Bolsa caiu 1,08%, alcançando 110.622,57 pontos e o Merval 25 recuo 1,7%, fixados em 2.058,17.
A empresa de investimentos Merrill Lynch emitiu uma nota do analista Joseph Shatz afirmando que, devido aos problemas no mercado financeiro, há a possibilidade de o banco central dos EUA decidir uma baixa de juros de emergência na próxima semana.
A tendência generalizada de crise obrigou os bancos centrais mundiais a injetar liquidez de forma conjunta. Até agora, o BCE, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) e o Banco do Japão puseram à disposição dos mercados um total de mais de US$ 280 bilhões ou € 205 bilhões, parte já vencida, para evitar um colapso do sistema financeiro por escassez de liquidez e tranqüilizar os mercados.
Foi BCE que colocou mais recursos em circulação: só hoje, € 61,05 bilhões, com vencimento de três dias e a juros variáveis, que se somam aos € 94,841 bilhões de ontem com vencimento de um dia.
Esta quantidade sem precedentes supera os € 69,3 bilhões injetados em 12 de setembro de 2001, um dia depois dos atentados em Nova York. Foi a primeira ação coordenada dos bancos centrais de Japão, EUA e Europa para dar liquidez ao mercado desde aquela data.
Todos os esforços dos bancos centrais, no entanto, não conseguiram acalmar os mercados mundiais, que deixaram claras as preocupações sobre a crise das hipotecas. O Nikkei, que chegou a perder mais de 500 pontos durante o dia, fechou a semana de instabilidade perdendo 406,51 pontos (2,36%), aos 16.764,09.
Na Bolsa de Seul, o Kospi caiu 80,19 pontos (4,2%) e fechou em 1.828,49. Nas Filipinas, o índice PSE da Bolsa de Valores de Manila baixou 103,24 pontos (3,05%), para 3.281,96 pontos, após três dias de altas. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 2,88%, para 21.792,71 pontos.
Na China, a baixa no índice geral Shenzhen foi de mais de 350 pontos, ou 2,14%, fechando em 16.323,44. Xangai foi exceção, com queda de apenas um décimo ou 4,73 pontos, até 4.749,37. Na Malásia, o índice KLCI da Bolsa de Kuala Lumpur perdeu cerca de 2%, fechando em 1.287,70 pontos.
Na Indonésia, o principal índice da Bolsa de Valores de Jacarta, o JCI, cedeu 1,52%, até 2.207,40 pontos. Em Cingapura, após o feriado nacional, o índice Straits Times caiu 53,99 pontos (1,58%) até 3.359,18. Na Tailândia, a Bolsa de Valores de Bangcoc, a última a fechar, também encerrou a semana com perdas, embora mais moderadas: o índice SET caiu 0,86%, para 804,84 pontos.
Indo para a Europa, o Euro Stoxx 50, que reúne os 50 primeiros valores da zona do euro, caiu 2,7%, para 4.161,3 pontos. O FTSE 100 de Londres caiu 3,7% para 6.038,30. O índice DAX 30 de Frankfurt caiu 1,5% , para 7.343,26 pontos.
O CAC 40 de Paris perdeu 3,1%, fechando em 5.448,63, enquanto o Ibex 35 madrilenho caiu 2,6%, até 14.453,9 pontos. O banco francês Société Générale teve queda de 5%, o BNP Paribas caiu 4,4% e o alemão Deutsche Bank perdeu 3,5%. Nos EUA, o índice tecnológico Nasdaq caiu 11,6 pontos (0,45%), para 2.544,89.
O índice seletivo S&P 500 subiu 0,57 pontos (0,04%), para 1.453,66, enquanto o indicador tradicional NYSE caía 16,03 pontos (0,17%), para 9.433,28.