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Economia

Obama e McCain evitam explicar como cumprirão promessas na área econômica

Arquivo Geral

03/11/2008 0h00

O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, visit this site Barack Obama, e o republicano, John McCain, se aproximam das urnas com programas econômicos praticamente inalterados por causa da crise e sem explicar claramente como pagarão suas promessas.

A economia é sem dúvida o tema primordial das eleições, mas em grande medida os eleitores estarão às cegas quando preencherem a cédula no dia 4 de novembro.

Ambos os candidatos mantiveram o cerne de sua plataforma – cortes tributários e reforma do sistema de saúde – sem se importar com a ferida profunda que a crise financeira abriu no setor bancário primeiro e agora no resto da economia americana.

“Os dois demonstram muita irresponsabilidade no terreno fiscal”, disse à Agência Efe Roberton Williams, um especialista em política orçamentária do Urban Institute, um centro de estudos independente.

Se contra tudo e contra todos suas promessas se materializarem o déficit público será aumentado em trilhões de dólares, em um momento no qual o buraco fiscal orçamentário irremediavelmente aumentará por causa da crise, segundo os analistas.

O Comitê para um Orçamento Federal Responsável, outro centro independente, prevê que a provável recessão e os programas públicos de intervenção nos mercados lançados pelo Governo farão com que os números vermelhos superem um trilhão de dólares este ano fiscal, que se iniciou em outubro.

Esse resultado dobraria o déficit do atual exercício, que já foi recorde.

Maya MacGuineas, presidente desse Comitê e ex-assessora de McCain, acredita que a crise “fechou a porta” para novos programas de despesa ou de cortes tributários.

Os analistas acreditam que a curto prazo o candidato vencedor se verá obrigado a estacionar todas suas promessas e se dedicar plenamente a restabelecer o funcionamento dos mercados e evitar uma recessão profunda com gasto público imediato.

Quando a economia recuperar sua marcha em alguns anos, o Governo terá que pensar em como restabelecer a saúde a suas contas, porque se não o fizer corre o risco de que os investidores estrangeiros se neguem a emprestar-lhe mais, alertou MacGuineas.

Por isso, também então será muito complicado para o futuro presidente cumprir com algumas promessas eleitorais que são extremamente caras.

Os cortes de impostos prometidos por McCain, que beneficiarão principalmente os ricos, custarão US$ 5 trilhões em dez anos, segundo o “Urban Institute”.

Obama aumentará os impostos de quem ganha mais e diminuirá os dos outros, o que deixará a fatura de seu plano em US$ 3,5 trilhões.

Além disso, a reforma do plano de saúde proposta por McCain custará US$ 1,3 trilhão em 10 anos, e a de Obama US$ 1,6 trilhão, já que quer cobrir uma percentagem maior da população, segundo cálculos do Centro de Política Tributária, outro centro independente.

De acordo com David Schultz, catedrático de Administração Pública da Universidade de Hamline (Minnesota), nem McCain nem Obama explicou ao público como conciliarão esses projetos grandiosos com a situação atual da economia, porque nem eles mesmos sabem.

“Nenhum tem um plano amplo de como vai lidar com a economia e a recessão”, disse Schultz, opinando que após a euforia da vitória o futuro presidente terá que sentar para definir uma guia de ação “realista”.

Por enquanto, nenhum dos dois grupos renunciou a alguma promessa.

A candidata republicana à Vice-presidência, Sarah Palin, primeiro disse que a crise não mudaria em nada o programa de seu partido. Posteriormente, McCain afirmou que congelaria o gasto público, exceto em alguns departamentos, incluindo o Pentágono.

Por sua parte, Joseph Biden, o candidato democrata à Vice-presidência, afirmou que a crise talvez obrigasse a adiar o compromisso de aumentar a ajuda externa.

E Obama afirmou que usaria um “bisturi” para cortar a despesa em certos programas.

Essas medidas serão insuficientes para encaixar o impacto da crise e manter seus planos de rebaixamentos tributários e projetos novos, de acordo com MacGuineas.

“Simplesmente não se pode continuar gastando como um marinheiro bêbado e pensar que as coisas vão melhorar assim”, disse Williams.

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