JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS
A agência de classificação de risco Moody’s prevê que uma nova avaliação de nota de risco do Brasil será feita apenas em 2027, após o resultado das eleições para presidente, deputados federais e senadores.
A previsão veio de William Foster, vice-presidente de risco soberano da Moody’s Ratings, em evento nesta quinta-feira (30). Ele afirmou que haverá um comitê de avaliação de risco após eleições no ano que vem, sem uma data já marcada. Porém, se necessário, o país pode ser reavaliado anteriormente.
“Independentemente de qual governo assuma o poder, as decisões de política fiscal e o roteiro que será traçado para os próximos anos serão determinantes para a classificação de risco do Brasil. Esse é, atualmente, o fator mais importante para a nota de crédito do país”, disse William Foster, vice-presidente de risco soberano da Moody’s Ratings, em evento nesta quinta-feira (30).
Em maio deste ano, a agência de ratings alterou a perspectiva da nota de crédito do Brasil de positiva para estável, mantendo-a em Ba1, abaixo do grau de investimento, o que reduz o fluxo de capitais para o país.
Foster estima que é necessário um ajuste fiscal equivalente a cerca de 2% a 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil nos gastos primários para estabilizar a trajetória da dívida pública e reduzir o risco fiscal do país.
Em maio, a dívida bruta do Brasil alcançou 81,1% do PIB, segundo dados do Banco Central. Neste ritmo, a Moody’s espera que ela chegue a aproximadamente 90% até 2030.
Para evitar a escalada, a agência ressalta a importância de reformas fiscais. Uma das alternativas seria reduzir a indexação automática das despesas, especialmente previdência e programas sociais, com a inflação.
O alto endividamento do país é apontado por investidores, e pelas agências de rating como o principal motivo pelos juros altos no país que, por sua vez, inflam a dívida. Quanto mais um país deve, maior o risco dele não pagar, o que leva os investidores a cobrarem uma remuneração maior para financiar o Tesouro Nacional. Isso, por sua vez, encarece o custo do dinheiro.
Ele vê como única a situação brasileira de ter o pagamento do juros da dívida correspondendo a uma fatia tão grande da riqueza. “Por exemplo, em 2025, os pagamentos de juros corresponderam a cerca de 7,7% do PIB. Já quando se observa a média da América Latina, esse percentual fica em torno de 3% do PIB”, diz Foster.
Outra mudança chave levantada pela agência americana é redução estrutural dos juros reais, o que aumentaria os efeitos da Selic sobre a inflação. Para isso, além de cortes de gastos, é necessário credibilidade.
“O principal problema que enxergamos atualmente é a credibilidade fiscal. Ela só deverá melhorar se o governo conseguir criar espaço fiscal, reduzir a rigidez do Orçamento e abrir margem para melhorar a qualidade dos gastos ou diminuir as pressões sobre as despesas ao longo do tempo”, disse o analista da Moody’s Ratings.
Além das despesas obrigatórias, o executivo destacou o peso das emendas parlamentares no gasto do país.
“O que representava cerca de 2% dessas despesas em 2015 hoje corresponde a aproximadamente 24%, reduzindo significativamente a margem de manobra do governo para definir a alocação dos recursos públicos”, afirmou Foster.
Nota de crédito do Brasil deve ser reavaliada apenas em 2027, diz Moody’s
Alto endividamento do país é apontado por investidores, e pelas agências de rating como o principal motivo pelos juros altos no país que, por sua vez, inflam dívida bruta
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