Crawford Falconer, stuff negociador-chefe da área agrícola nas negociações da Rodada de Doha, afirmou hoje que um eventual acordo no centro da Organização Mundial de Comércio (OMC) não resolveria a atual crise da alta de preços dos alimentos.
“A rodada terá um impacto positivo no futuro. Mas não terá a curto prazo em relação a que se precisa no mundo real, porque mesmo que fechemos algumas modalidades, vão demorar meses para que o acordo completo seja concluído e anos para que seja implementado”, afirmou Falconer.
Após a reunião plenária com todos os membros da OMC, Falconer declarou que é preciso “ter claro que a Rodada de Doha é um exercício de médio a longo prazo que não terá nenhuma conseqüência nos próximos meses, portanto não serve para solucionar crise imediatas”.
O negociador-chefe, no entanto, assinalou que “o desafio é fazer este exercício (concluir a rodada) antes que a agenda política se movimente e se desvie a atenção do assunto”.
A Rodada de Doha está sendo negociada há sete anos com o objetivo de liberalizar o comércio mundial para ajudar a desenvolver os países emergentes.
Segundo Falconer, na área agrícola foram feitos muitos avanços, embora, a seu ver, os países ainda não estão prontos para concluir em nenhuma posição que possa satisfazer a todo o mundo.
Por isso, como negociador-chefe pediu aos países que aperfeiçoem suas posições e apresentem outro texto revisado.
A reunião de hoje foi suspensa até a próxima sexta-feira, tendo em vista que nem todas as delegações puderam fazer uso da palavra.
Segundo fontes da OMC, os três temas que mais complicam o avanço das negociações são produtos sensíveis, produtos tropicais e produtos especiais.
Em relação aos produtos sensíveis, que são as matérias essenciais para cada país e que serão poupadas dos cortes estabelecidos na fórmula, a discussão reside sobre quais seriam os produtos sensíveis, ou seja, como defini-los.
Para estabelecer o sistema de cálculo foi criado um grupo formado pelos Estados Unidos, União Européia, Japão, Suíça, Noruega e Canadá, mas estas nações não conseguiram convencer as restantes da vantagem da fórmula.
Por isso, Falconer pediu hoje aos membros que decidam se aceitam a proposta de sistema de cálculo e que, se optarem por rejeitá-la, que apresentem outras.
A respeito dos produtos especiais, que permitem aos países em desenvolvimento proibir sua importação para proteger os produtores locais, também existe a dificuldade em determiná-los e classificar em que medida ajuda a alguns e prejudica a outros.
Vários países, entre eles alguns emergentes como o Uruguai, Costa Rica ou Paraguai, argumentam que seus produtores dependem das exportações e que essa cláusula prejudicará o comércio sul-sul.
O problema com os produtos tropicais – que segundo a fórmula até agora estipulada deveriam circular de forma mais livre que os outros – é que muitos deles são produtos com preferências, portanto, sua maior liberalização beneficiaria alguns, mas deixariam sem efeito os benefícios que outras nações desfrutam atualmente. Não se espera que nenhum destes temas seja resolvido a curto prazo.