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Economia

‘Não exigimos corte de juros, apenas mente aberta’, diz secretário dos EUA sobre novo presidente do Fed

Secretário do Tesouro dos Estados Unidos afirma que indicado de Trump ao Fed não tem missão de cortar taxas, apesar de pressão política

Redação Jornal de Brasília

10/02/2026 13h46

Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

JÚLIA MOURA
FOLHAPRESS

O novo presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) não foi escolhido com a premissa de baixar juros, como defende publicamente o presidente Donald Trump, mas por ser compreensivo, afirmou Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, nesta terça-feira (10).

“Nós apenas queríamos alguém com a mente aberta, e acho que Kevin Walsh é essa pessoa. Essa é uma das razões, além de sua longa trajetória e credenciais, pelas quais o presidente Trump o selecionou”, afirmou Bessent durante participação remota em evento do BTG Pactual.

Ao fim de janeiro, Trump anunciou Warsh como seu indicado para a presidência do Fed, no lugar de Jerome Powell, cujo termo acaba em maio. Nesse meio tempo, Warsh ainda será submetido a uma sabatina no Senado.

“Algo muito interessante sobre o Kevin é que ele está em Stanford, que é um dos centros da inovação dos EUA, e comandou investimentos privados em tecnologia. Então ele entende tudo isso [inteligência artificial] muito bem. Ele tem uma mente muito aberta”, completou Bessent.

O secretário do Tesouro americano, equivalente ao ministro da Fazenda braisleiro, disse que tem como objetivo ter os fundamentos necessários para manter o dólar forte, seja em termos de investimento estrangeiro direto ou de fluxos de portfólio.

Durante o governo Trump, porém, a moeda americana tem enfraquecido ante os pares globais.

“Queremos fazer dos EUA o lugar mais atraente para o capital -o que eu acho que conseguimos por meio da previsibilidade tributária. Aprovamos a big beautiful bill, que inclui a dedução integral de investimentos para as empresas”, afirmou Bessent.

De acordo com o americano, estrangeiros e empresas estão investindo nos EUA.

“No fim das contas, esse é o objetivo da política tarifária do presidente. Começamos com receitas tarifárias muito altas, mas, ao longo do tempo, o objetivo é a reindustrialização e o reequilíbrio da economia.”

AMÉRICA LATINA E CHINA

O secretário fez apenas uma menção ao Brasil, enquanto falava de América Latina. Ele ressaltou a melhora no diálogo entre os governos americano e brasileiro.

“Após um começo turbulento, o presidente Trump e o presidente Lula estabeleceram uma boa relação.”
Bessent também disse ver com bons olhos a mudança de poder no Chile e a vitória de Javier Milei nas eleições para o Congresso argentino, bem como o governo da vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.

“Conseguimos oferecer um apoio significativo ao presidente Milei durante o período eleitoral. Os kirchneristas estavam tentando usar forças de mercado para fazê-lo perder apoio. Então conseguimos, no que eu chamaria de paz por meio da força econômica, sustentar o governo argentino durante aquele período”, disse o secretário.

Antes das eleições na Argentina, os EUA firmaram um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões para estabilizar o peso e fortalecer as reservas do país.

“Por outro lado, a intervenção e a extradição de Nicolás Maduro na Venezuela por meio de força militar apenas mostram o poder das forças armadas dos EUA. E posso dizer que as pessoas que hoje comandam o governo na Venezuela estão cooperando. Acho que é uma parceria muito positiva que acabará levando a eleições livres e justas –algo que parecia inimaginável”, completou Bessent.

Sobre China, o secretário afirmou que a relação está boa, mas que sempre haverá rivalidade com os EUA.

“A relação entre os EUA e a China hoje está em um ponto bastante confortável. Vamos ser rivais, mas queremos que essa rivalidade seja justa. Não queremos nos desacoplar da China, mas precisamos reduzir riscos. Acredito que podemos ter uma relação muito produtiva, mas sempre seremos concorrentes. E sou da opinião de que a competição nos torna melhores e impede a estagnação. “, afirmou.

Para isso, Bessent diz que o governo americano foca o crescimento econômico e setores estratégicos, como minerais críticos, semicondutores, medicamentos e inteligência artificial.

“Estou convencido de que os EUA estão vencendo a corrida da inteligência artificial. Temos a liderança tecnológica.”

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