Brasília e São Paulo, 25 – Em negociações acertadas nesta sexta, 25, o grupo Mover e a cimenteira InterCement, ambos em recuperação judicial desde 4 de dezembro de 2024, chegaram a um acordo preliminar com seus credores. Pelo acerto, a InterCement passará a ser integralmente controlada pelos credores, e a Mover venderá seu bloco de ações na concessionária de infraestrutura Motiva (antiga CCR), de 14,86%, para quitar sua dívida com o Bradesco BBI.
Conforme apurou o Estadão/Broadcast, a Mover e o grupo Bradesco chegaram a um entendimento para quitar uma dívida superior a R$ 3,1 bilhões com a venda das ações da Motiva. Segundo pessoas a par do caso, as partes estão discutindo os termos que podem levar a holding a ficar com R$ 500 milhões da venda. A Mover espera sair da recuperação judicial com caixa em torno de R$ 1 bilhão.
O Estadão/Broadcast apurou ainda que Itaúsa e Votorantim, sócios da Motiva, estão dispostos a exercer seu direito de preferência na venda e adquirir as ações que hoje são da Mover. Outro acionista do bloco de controle é a Soares Penido. A holding da família Camargo tem 10,33% dentro do acordo de acionistas e o restante livre para venda separada.
O acordo foi fechado antes da assembleia-geral marcada para ontem, que foi suspensa devido ao entendimento entre Mover, InterCement e os credores Bradesco, bondholders e o empresário argentino que adquiriu créditos do Itaú com a cimenteira semanas atrás.
A recuperação judicial do grupo Mover – envolvendo a holding e sete empresas – arrolou R$ 14,2 bilhões em dívidas, a maior parte da InterCement. Pelos termos do acordo, os litígios envolvendo a cimenteira, a Mover e seus credores devem ser todos suspensos. O acordo final será votado em 15 de agosto.
Procurado, o Bradesco BBI não havia se manifestado até a publicação deste texto.
Estadão Conteúdo