Estes ajustes são indispensáveis para facilitar as mudanças necessárias a fim de apoiar um crescimento econômico global equilibrado e sustentável a longo prazo, segundo o comunicado conjunto emitido após o fim da reunião ministerial, em Cingapura.
De acordo com este esquema e com uma inflação, por enquanto, controlada, as economias com fortes dívidas externas adotarão políticas que promovam a economia, e outras com superávit se concentrarão em fortalecer as fontes domésticas de seu crescimento.
“Nossas políticas monetárias deverão ser consistentes com uma estabilidade de preços no contexto de taxas de câmbio orientadas ao mercado, que reflitam as noções básicas da economia”, afirmou o documento.
A reunião teve a participação da China, que há mais de um ano mantém uma cotação fixa do iuane frente ao dólar para garantir o volume de suas exportações, uma medida considerada injusta por alguns de seus vizinhos asiáticos, especialmente diante da queda do dólar.
O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, afirmou que um dólar forte é fundamental para a estabilidade do crescimento, mas destacou que, desta vez, não serão os Estados Unidos, mas as economias asiáticas que liderarão o resto do mundo para a luz no fim do túnel.
“Veremos a Ásia liderar o mundo rumo à recuperação”, disse Geithner, que evitou comentar a política econômica chinesa.
O ministro das Finanças cingapuriano, Tharman Shanmugaratnam, também evitou as perguntas dos jornalistas sobre a moeda chinesa, mas esclareceu que qualquer novidade neste sentido também não será uma panaceia para colocar fim à recessão.
Sobre os programas de estímulo para sair da crise, os titulares das Finanças do bloco regional também decidiram que os programas de estímulo serão administrados em função das circunstanciais particulares de cada país, e sem datas fixas para a retirada.
Com estas medidas, os membros do Apec buscam evitar uma nova recessão.
“O desafio é o crescimento. Primeiro o crescimento, mas, ao mesmo tempo, devemos recuperar a confiança empresarial, o ritmo dos investimentos, reduzir o desemprego, reparar o setor financeiro. Esses são nossos desafios”, disse Geithner.
A Austrália incentivou seus parceiros a manter em andamento as iniciativas de reativação econômica, até uma recuperação sustentada da demanda e a redução do desemprego.
“Devemos manter o estímulo, porque ainda não há sinais claros de uma melhoria sustentada na demanda privada global” e, assim que a demanda melhorar, os programas poderão ser retirados de forma gradativa, “garantindo sempre não fazer isso cedo demais”, disse o ministro do Tesouro australiano, Wayne Swan.
Os ministros do Apec também reafirmaram seu compromisso para promover o livre-comércio, relançar as negociações da Rodada do Desenvolvimento de Doha e combater o protecionismo.
No entanto, o diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, mostrou ceticismo e advertiu que, se o desemprego não for contido, muitos países cairão na tentação de endurecer suas políticas tarifárias para proteger seus mercados trabalhistas.
O Apec é formado por Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Tailândia, Taiwan e Vietnã.
Os 21 países do grupo representam 40% da população mundial, mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) e 44% do comércio.