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Economia

Ministro detalha plano contra fila do INSS e diz que Previdência não tem responsabilidade de fechar as contas

“A nossa tarefa é incluir, é fazer com que mais e mais pessoas estejam debaixo desse grande guardas-chuvas que é a Previdência Social.” disse Wolney Queiroz

Redação Jornal de Brasília

25/03/2026 14h55

ministro da previdência social, wolney queiroz

Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz. Foto: Lula Marques/Agência Brasil


CRISTIANE GERCINA
FOLHAPRESS

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que não é responsabilidade de sua pasta fechar as contas no final do ano e que a Previdência e o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) não podem ser transformados em “vilões”. Mesmo assim, detalhou qual é o plano para diminuir a fila de pedidos, que está em torno de 3 milhões.

“Não queiram nos transformar em vilões, não queiram impor a nós a responsabilidade de fechar as contas no final do mês e no final do ano. A nossa tarefa é incluir, é fazer com que mais e mais pessoas estejam debaixo desse grande guardas-chuvas que é a Previdência Social.”

A afirmação foi feita durante o Fórum Regional da Seguridade Social para as Américas, realizado na capital paulista nesta quarta-feira (25). O evento, que termina nesta sexta (27), reúne representantes da previdência de várias países.

A fila do INSS, no entanto, esteve no centro dos debates e tanto ele quanto o presidente do instituto, Gilberto Waller Júnior, pontuaram as dificuldades em atender todas as solicitações feitas por segurados no país com a entrada de 1,3 milhão de pedidos mensais.

O ministro afirmou que uma das expectativas para a redução é o novo Atestmed, que passa a ter perícia do auxílio-doença mais detalhada a distância, sem que o segurado precise passar pela perícia médica presencial. A meta é atingir ao menos 500 mil beneficiários em um ano.

Além disso, Queiroz disse que a contratação de 500 novos médicos peritos da Previdência -convocados em setembro de 2025 após concurso público- é outro ponto que deve fazer com que os requirimentos periciais passem por um fluxo de trabalho mais rápido.

Outra aposta no plano de conter a fila é o pagamento de bônus a servidores por meio do PGB (Programa de Gerenciamento de Benefício) para que destravem os pedidos de benefícios. Todas essas medidas devem atender à solicitação do presidente Lula para diminuir a fila, especialmente em ano eleitoral.

“Tudo isso conjuntamente acontecendo vai dar um impacto muito positivo na redução dessa fila que é um compromisso, um pedido do presidente Lula para que a gente possa agilizar essa fila e que o cidadão seja atendido no menor tempo possível”, disse.

O presidente do INSS, Waller Júnior, afirmou que o instituto enfrenta falta de servidores. Segundo ele, em 2022, havia 36 mil funcionários públicos e, em 2025, esse número caiu para 18 mil, o que dificulta ainda mais o atendimento às demandas.

Tanto ele quanto Queiroz disseram que a fila única nacional para atendimento de pedidos é uma das saídas para a concessão de benefícios a quem tem direito, diminuindo a espera e os gastos do governo com juros e correção quando demora a pagar o benefício, e apontaram o uso da tecnologia como aliada nas demandas dos cidadãos.

Para isso, o INSS aposta na teleperícia e diz que concede ao menos 50% dos benefícios de forma automática, sem precisar de atendimento humano.

Queiroz disse entender que o papel da Previdência Social é trazer “dignidade e cidadania” a quem está na pobreza, à margem da sociedade ou que contribuiu por toda uma vida para ter seu benefício na aposentadoria.

O ministro afirmou ainda estar atento aos desafios trazidos pelo envelhecimento da população, pela informalidade e pelas novas formas de trabalho, em especial por aplicativos, que diminuem a capacidade de financiamento da Previdência e da seguridade social.

À reportagem ele disse que é preciso fazer “boa propaganda” da Previdência. “Nosso desafio agora é falar bem da Previdência Social para que ela se torne atrativa para esse novo mercado de trabalho, para quem está chegando agora no mercado de trabalho e não quer participar de um sistema que só se fala de fraude, de fila, de déficit.”

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