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Economia

Ministro defende projeto do governo pelo fim da escala 6×1 e diz que reduzir para 36 horas é ‘irresponsabilidade’

Segundo Luiz Marinho, mudanças na jornada já vêm sendo testadas por empresas, com resultados como redução de faltas e melhora na produtividade

Redação Jornal de Brasília

17/04/2026 18h35

Luiz Marinho, ministro do Trabalho. Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendeu nesta sexta-feira (17) o projeto de lei enviado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para acabar com a escala 6×1 e afirmou que propostas que preveem a redução imediata da jornada para 36 horas semanais são uma “irresponsabilidade”. Segundo ele, a economia brasileira comporta uma redução mais gradual, para 40 horas semanais.

“Na visão do governo, seria uma irresponsabilidade falar em 36 horas semanais imediatamente para a economia. A economia, na nossa visão, na nossa análise, nas nossas pesquisas, suporta tranquilamente o impacto da redução para 40 horas semanais, sem redução de salário”, afirmou.

O ministro também rebateu a leitura de que a discussão tenha motivação eleitoral. “Esse debate não tem nada a ver com o processo eleitoral. Esse debate tem a ver com a unidade do Brasil, da classe trabalhadora, das empresas”, disse.

Segundo Marinho, mudanças na jornada já vêm sendo testadas por empresas, com resultados como redução de faltas e melhora na produtividade. Ele citou experiências com modelos alternativos, como o 5×2, que teriam facilitado a contratação e diminuído o absenteísmo. Na avaliação do ministro, ambientes de trabalho mais favoráveis tendem a elevar a qualidade da produção e compensar eventuais custos da mudança.

A declaração ocorre em meio a um impasse no Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que pretende priorizar a tramitação de PECs (Propostas de Emenda à Constituição) e não deve dar andamento ao projeto de lei enviado pelo governo com urgência constitucional.

Marinho defendeu que a mudança seja conduzida por meio de projeto de lei, com implementação gradual, enquanto uma eventual alteração constitucional poderia consolidar o novo patamar no futuro.

“Seria muito mais natural trabalhar a redução pelo projeto de lei e a PEC consolidar depois”, afirmou.

“Atropelar o rito por um capricho de ser PEC e não PL não parece plausível.”

Com o projeto em andamento por meio das PECs também é necessário que elas passem pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e por uma comissão especial antes de serem votadas em plenário.

Ele afirmou que o modelo permite uma discussão mais ampla e que a votação ocorrerá “sem atropelo”.

A decisão contraria a estratégia do governo, que aposta no projeto de lei por ter tramitação mais rápida. Pelo regime de urgência constitucional, a proposta precisa ser analisada em até 45 dias ou passa a travar a pauta da Câmara.

Atualmente, duas PECs tratam do tema. Uma delas, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevê a redução da jornada para 36 horas semanais. Outra, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), estabelece o mesmo limite, mas com implementação ao longo de dez anos.

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Apesar da divergência sobre o instrumento, Marinho afirmou que não há impasse com o Legislativo e que a posição do governo já foi apresentada. Segundo ele, a tramitação agora depende exclusivamente do Congresso.

O ministro também afirmou que o presidente da Câmara tem prerrogativa para definir a pauta, mas não de forma exclusiva. “Ele é o presidente da Câmara, ele não é dono da Câmara”, disse.

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