O ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu aos Três Poderes uma “sintonia política” para evitar a ampliação dos gastos federais no momento em que os países ricos passam por uma crise que pode afetar o resto do mundo. Em discurso no Plenário da Câmara, nesta terça-feira (8), Mantega avaliou que os problemas que derrubaram os mercados acionários mundiais são um prolongamento da crise internacional iniciada em 2008. Mas desta vez, a fragilidade não vem da iniciativa privada (bancos e empresas), e sim dos governos com dificuldade para pagar suas dívidas.
Para o ministro, uma das melhores formas de evitar o contágio na economia brasileira é manter o que chamou de “solidez da política fiscal”, garantindo o ritmo de redução da dívida pública federal.
Apesar da recomendação, Mantega afirmou que o Brasil está preparado para suportar até um agravamento da crise, que ainda deve durar dois anos. Segundo ele, o seguro para a crise está no elevado volume de reservas internacionais – 347 bilhões de dólares, cerca de R$ 555 bilhões –, na estabilização da dívida pública federal e em um mercado interno forte.
Estímulos
Para reduzir o impacto da crise no País, o governo, segundo Mantega, vem adotando medidas de estímulo ao setor mais atingido, a indústria. O ministro descreveu aos deputados o Plano Brasil Maior, que contempla medidas de apoio ao setor, como desoneração de investimentos e folha salarial e aumento de recursos para inovação.
Visões diferentes
Além de Mantega, o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega disse que o risco de que o mundo passe por uma crise das proporções de 2008 é baixo. Os fatores não são os mesmos, e não há o risco de um colapso do sistema financeiro como ocorrido naquela época, em sua avaliação.
O presidente da SR Rating, Paulo Rabello de Castro, que representou o PSDB, mostrou-se menos otimista. Na visão dele, a crise econômica mundial não será amena e nem vai ser ultrapassada em pouco tempo. Segundo ele, o efeito imediato da crise será reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que projetou em 3,5% neste ano, um ponto percentual abaixo do previsto pelo governo.