A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a política interna da companhia persiste “íntegra e sólida”, em um cenário de volatilidade. “Nós observamos as paridades internacionais de preços de petróleo derivados sem repassar a volatilidade para o mercado interno brasileiro”, afirmou.
Para ela, não há dúvida nenhuma de que o momento é de alta instabilidade geopolítica. Nesse contexto, ela afirma que a preocupação é deixar a empresa preparada para qualquer cenário que ocorra em relação ao preço do petróleo. “Se ele for US$ 85 por barril, nós temos que estar preparados, se for US$ 55, temos que estar igualmente preparados”, disse.
Ela lembrou que, no ano passado, a companhia conviveu com um preço do petróleo superior a US$ 80 no início do ano e terminou com uma cotação de US$ 60 a US$ 59.
“A companhia entregou seus resultados e mostrou ser, vamos dizer assim, resiliente o suficiente para enfrentar essa variação de cenário. No começo deste ano, essa volatilidade está exacerbada por questões de guerra, mas a nossa política interna persiste íntegra e sólida”, afirmou Magda Chambriard.
Para ela, a Petrobras conciliar a observação de paridades internacionais, a valorização dos seus produtos e ao mesmo tempo atentar para o seu espaço em termos de ocupação do mercado brasileiro, “não é mais um tema”.
Ela diz que tem recebido muitas perguntas sobre se a política de preços que valeu na queda do petróleo vai valer na alta. “E a nossa resposta é sim, vale a mesma coisa até agora”, disse.
Magda afirmou que é preciso uma tendência mais clara sobre os preços do petróleo para que a estatal decida fazer ajustes em seus preços. Contudo, ponderou que a persistência da volatilidade demanda atenção. “Se essa volatilidade for tão grande, essa subida do preço for tão grande assim, certamente vai exigir, vamos dizer assim, respostas mais rápidas que exigiriam se a subida fosse mais lenta”, disse.
O preço do Brent chegou a ficar acima de US$ 90 ao longo da manhã desta sexta-feira. “No momento, a gente não tem certeza se é essa a premissa”, destacou a executiva.
O diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, endossou que, como parte da estratégia de ser “a melhor alternativa do cliente”, o olhar para as cotações internacionais faz parte do trabalho diário da estatal.
“Nós estamos com uma produção bastante significativa de óleo, as refinarias estão com uma performance padrão classe mundial. A estratégia comercial tem, como princípio fundamental, não transferir então essa volatilidade. O fator tempo é o que temos de mais relevante no momento”, pontuou ele.
Magda ainda acrescentou que a companhia continua a importar o que precisa e exportar o que precisa no cenário atual. “E o nosso caixa continua objeto da nossa atenção para garantir a resiliência da companhia”, disse.
Lucro em 2025
A Petrobras encerrou 2025 com lucro líquido de US$ 19,634 bilhões, 160,8% maior que o registrado em 2024.
A produção total de óleo e gás natural da Petrobras alcançou 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) no ano passado.
Período ‘inusitado’
Schlosser enfatizou que o Plano de Negócios da estatal de 2026-2030 já previa uma faixa de preço de petróleo larga para “cobrir” as necessidades da empresa. Já ao analisar o cenário de curto prazo para a commodity, diante da ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, definiu como um “período inusitado”.
“Temos fotos de oferta e demanda diferentes a cada momento. Há pouco tempo se falava de petróleo a US$ 50 e, há poucos dias, vimos o mercado congelado diante do choque de derivados”, analisou, durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025. “Agora vemos os fretes se ajustando e a foto do momento é que isso se reflete favoravelmente à Petrobras, mesmo com a alta do frete.”
Ele ainda disse que a estatal tem posição privilegiada em relação a outros pares por estar fora da zona de conflito e garantiu que não há reflexos no planejamento logístico dos derivados. “Otimizamos nossa infraestrutura robusta, identificamos as frentes de importação de derivados mais atrativas e conseguimos fazer as negociações dentro do planejamento. Os navios que estão apontados para cá (Brasil) vão chegar normalmente”, enfatizou.
O diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, reforçou a mensagem. “O refino está sendo otimizado, vamos fechar o trimestre de 2026 com 95% de Fator de Utilização (Fut)” No quarto trimestre de 2025, o Fut das refinarias caiu para 89%, ante 95% no mesmo trimestre um ano antes.
Sobre abastecimento, os executivos enfatizaram que a Petrobras não é o único ator do mercado.
Oportunidades de crescimento
Magda enfatizou que ainda há grandes oportunidades de criação de crescimento para a empresa e geração de valor mesmo em meio às instabilidades geopolíticas que acentuam a volatilidade do mercado de petróleo.
“A Petrobras está imbuída do propósito de fazer essa uma empresa cada vez maior, que cresce junto com o Brasil”, disse ela, durante a teleconferência. “Estamos construindo uma empresa diversificada, preparada para enfrentar a volatilidade do mercado de petróleo, tão instável quanto o que estamos vivendo hoje.”
A executiva reiterou que a empresa está preparada para fazer uma transição energética justa e o posicionamento tem apresentado resultados financeiros positivos.
“Estamos fazendo um bom dinheiro colocando bunker (combustível para transporte marítimo) com 24% de combustível renovável no mercado asiático”, exemplificou. “Tivemos ótimas notícias em 2025 na área de gás, especialmente com o Complexo de Boaventura”, complementou.
Exportações
A presidente da Petrobras enfatizou a reposição de reservas da estatal em 2025, ano de recorde de produção e exportação de petróleo. “Exportamos quase 1 milhão de barris por dias. A P-79 está ancorada e em breve irá começar a produzir de forma antecipada, o Campo de Tupi/Iracema se recuperou e voltamos a produzir 1 milhão de boed”, destacou.
Magda afirmou ainda que a superação de metas tem sido constante na companhia, na produção, refino e exportação. Ela disse também que a gestão fechou contratos de obras de refinarias abaixo do valor previsto. “Temos produzido mais e melhor, com menos recursos”, disse.
Celebração dos resultados em 2025
Magda celebrou o resultado da companhia alcançado em 2025. Ela enfatizou que a estatal teve um ano “sem precedentes na produção” mesmo num cenário de pressão por conta do preço do petróleo brent. “Estamos extremamente orgulhosos do nosso trabalho técnico. Repito algo que não me canso: quem apostar contra a Petrobras vai perder”, disse.
E enfatizou: “Foi o crescimento da produção que permitiu mitigar a grande queda do preço do petróleo. Superação de metas tem sido algo constante na companhia na produção, refino, exportação.”
Estadão Conteúdo