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Economia

Mercado vê operação da PF com cautela, e empresas ligadas a Tanure têm dia misto na Bolsa

Por um lado, Gafisa e Alliança marcaram perdas de 0,88% e 5,62%, respectivamente

Redação Jornal de Brasília

14/01/2026 19h58

Bolsa de Valores

Foto: Pixabay

TAMARA NASSIF E JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Empresas ligadas ao empresário Nelson Tanure, alvo da Polícia Federal na segunda fase da Operação Compliance Zero, tiveram um dia misto na Bolsa de Valores nesta quarta-feira (14).


Por um lado, Gafisa e Alliança marcaram perdas de 0,88% e 5,62%, respectivamente. Por outro, Light e Prio avançaram 2,89% e 2,97%. Já o Ibovespa disparou 1,95% e renovou o recorde histórico de fechamento a 165.145 pontos, tendo o cenário eleitoral e o exterior como pano de fundo.


Tanure é um experiente investidor do mercado de valores mobiliários brasileiro, com décadas de atuação profissional. Com mais de 70 anos de idade, ele é conhecido no mundo dos negócios por sua estratégia de adquirir participações em empresas que atravessam momentos de dificuldade financeira ou disputas societárias complexas.


A apuração policial investiga suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.


Apesar das movimentações na Bolsa de Valores nesta quarta, fontes no mercado financeiro ouvidas pela reportagem afirmam que a operação da Polícia Federal não deve trazer grandes mudanças na operação das empresas ligadas a Tanure -ao menos no curto prazo.


O que pode acontecer nos próximos meses, segundo essas fontes, é que o temor de estar envolvido com negócios investigados pela PF afete a captação e a operação dessas empresas. Ainda, se Tanure se desfizer de suas participações, a maior oferta de ações pode reduzir o preço dos papéis.


Não é possível calcular a participação exata de Tanure nessas empresas, já que a exposição do empresário é indireta, via fundos dos quais ele costuma ser o único cotista.
O mercado, de acordo com essas fontes, ainda não precificou totalmente o que pode vir a acontecer com essa nova frente de investigação no longo prazo. Se as companhias perderem Tanure como acionista de referência e não tiverem outro no lugar, o vácuo de liderança pode ser prejudicial ao negócio.
A presença de Tanure na nova etapa da operação ocorre semanas após o MPF (Ministério Público Federal) em São Paulo denunciá-lo por suposto uso de informação privilegiada na negociação de ações da Gafisa, da qual é acionista de referência.
De acordo com o pedido protocolado na 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Tanure e o empresário Gilberto Benevides praticaram insider trading na operação de aquisição da incorporadora Upcon pela Gafisa, ocorrida entre 2019 e 2020. Eles teriam feito uma série de movimentações financeiras para inflar o valor de mercado da Upcon e, consequentemente, receber mais ações com poder de voto da construtora na operação de compra e venda.
A defesa de Tanure afirma que ele não tem “qualquer relação de natureza societária com o Banco Master, do qual foi cliente nos últimos anos, nas mesmas condições em que é igualmente atendido por outras instituições financeiras conhecidas do mercado”.
Na ocasião da denúncia do MPF, a defesa do empresário também reforçou que ele tem décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliários e jamais havia sido acusado de práticas delitivas nas empresas que é ou foi acionista. O advogado Pablo Naves Testoni disse que Tanure “lastima a açodada denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal e tem certeza de que os fatos serão esclarecidos no bojo do processo”.
A incerteza do mercado também se estende para o futuro da construtora. A investigação turva a possibilidade de Tanure reinvestir na Gafisa -que acumula prejuízo nos últimos anos-, e a recuperação da companhia fica mais remota.
“Se ficar comprovado o envolvimento de Nelson Tanure no escândalo Master, seria muito ruim para as ações das empresas em que, se não controla, é o acionista de referência”, diz o economista Aurélio Valporto, presidente da Abradin (Associação Brasileira de Investidores)
De acordo com o economista, isso poderia minar a credibilidade dessas empresas, afastando acionistas e prejudicando novas captações de recursos via debêntures, ações e até no mercado de crédito bancário.
Ao mesmo tempo, Rafael Panoko, sócio-fundador da US Wealth, não vê influência da operação desta quarta no movimento das ações. “Alliança teve uma correção após subir quase 10% na segunda”, afirma.
A segunda fase da operação Compliance Zero também teve pouco impacto no principal índice da Bolsa de Valores. O recorde renovado do Ibovespa teve como pano de fundo a nova pesquisa Genial/Quaest, que mostrou que a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno contra Tarcísio de Freitas (Republicanos) caiu.
Tensões geopolíticas e a suspensão da emissão de vistos para os Estados Unidos por parte do governo Donald Trump também nortearam os negócios.

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