O ministro da Fazenda brasileiro, cure Guido Mantega, dosage criticou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI) por não estar preparado para a última crise financeira e recomendou que seja mais rígido em suas recomendações aos países desenvolvidos.
O discurso de Mantega no Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, em inglês), o órgão que decide a estratégia do FMI, mostra como as recomendações mudaram em relação a crises anteriores.
Em vez de serem a origem dos problemas, os países emergentes são os que mantêm o crescimento mundial a taxas elevadas.
Mantega disse que o FMI não mostrou “nenhuma inibição para expressar opiniões e ditar políticas” para a América Latina ou a Ásia em tempos de crise, muitas das quais resultaram “equivocadas ou duvidosas”.
No entanto, foi “excessivamente cauteloso” agora, quando a origem da turbulência esteve nos mercados financeiros americanos e europeus, afirmou Mantega, em nome de Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago, além do Brasil.
“É uma situação irônica: os países que eram a referência de boa gestão, boas normas e condutas no sistema financeiro são os mesmos países que enfrentam problemas graves de fragilidade financeira, o que põe em risco a prosperidade da economia mundial”, disse.
O ministro brasileiro acredita que o FMI tem parte de culpa. “Ficou claro que o corpo técnico desta instituição precisa melhorar seu conhecimento dos mercados financeiros”, afirmou.
Mantega disse que o organismo não prestou atenção suficiente à regulação do sistema financeiro. O ministro brasileiro também foi duro ao falar das negociações para redistribuir o voto no FMI. “Qualquer resultado modesto, que se limite a ajustes marginais, colocará em dúvida a relevância e a legitimidade do FMI”, alertou.
“Os países em desenvolvimento, ou boa parte deles, tomarão seu próprio rumo, caso percebam que a reforma não ocorrerá ou que teremos um mero simulacro de reforma”, acrescentou.
Esta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou às nações em desenvolvimento que encontrem novas instituições que substituam o Banco Mundial e o FMI.
“Não há lugar para os países em desenvolvimento” nestes organismos, afirmou Lula durante sua visita ao Congo.
Mantega afirmou que, em vez de recorrer ao FMI, os países em desenvolvimento poderiam buscar “autoproteção” frente a possíveis problemas de balanças de pagamentos acumulando reservas de divisas, poderiam criar estruturas regionais para compartilhar estas reservas e até mesmo estabelecer “instituições monetárias regionais”.
O ministro disse que a reforma no FMI deve resultar em “uma transferência substancial do poder de voto dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento” e que não aceitará “esquemas que consagrem o status quo”.
O FMI está fazendo uma revisão das cotas, que refletem basicamente o peso econômico dos países quando o organismo foi criado, em 1944.
No entanto, a negociação está estagnada atualmente devido às divergências entre os países desenvolvidos e as nações em desenvolvimento, que exigem mais voto do que os primeiros estão dispostos a oferecer.
Na sexta-feira, o G-24, que reúne países em desenvolvimento, disse que a atual proposta de reforma do FMI não é aceitável.
“As mudanças marginais na estrutura de cotas não são aceitáveis”, afirmou Óscar Tangelson, o secretário de Política Econômica da Argentina, país que preside atualmente o grupo.