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Economia

Lula pede avaliação sobre riscos de medida dos EUA

Ministro da Fazenda diz que governo quer evitar prejuízos “irreais ou fantasiosos” à economia brasileira.

Redação Jornal de Brasília

01/06/2026 20h52

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Reprodução PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que avalie os possíveis prejuízos a empresas e bancos brasileiros após a decisão do governo dos Estados Unidos de considerar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

Lula e Durigan se reuniram nesta segunda-feira (1º), no Palácio da Alvorada. Segundo o ministro, a principal preocupação do governo brasileiro é o impacto que medidas externas podem ter sobre a soberania econômica e a estabilidade das instituições nacionais. Durigan afirmou que o governo teme que o excesso de discricionariedade por parte do governo Donald Trump gere prejuízos “irreais ou fantasiosos” para a economia brasileira.

“Vamos seguir combatendo as organizações criminosas, então nós insistimos nesse ponto e evitar que haja prejuízo irreal, fantasioso para nossa economia. Nós temos que evitar isso com todo custo. É uma grande injustiça”, declarou Durigan ao retornar do encontro.

O ministro disse que o ponto central da estratégia brasileira é evitar que empresas e bancos do país se tornem alvos de sanções ou restrições baseadas em critérios que não representem uma realidade concreta. Ele reiterou ter interesse em conversar com autoridades dos Estados Unidos sobre a classificação de facções como terroristas, mas afirmou que, por enquanto, não há conversa agendada com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

“Eu estou sempre aberto [a reuniões com Bessent]. Tenho contato direto com as autoridades norte-americanas, mas, por enquanto, não. A gente está reunindo as informações, vendo o que vem pela frente, avaliando os próximos passos”, disse.

Mais cedo, em entrevista ao SBT News, Durigan afirmou que poderia ligar para Bessent. Segundo ele, o governo brasileiro está traçando diagnósticos e, quando tiver as informações e a posição definidas, levará o tema ao secretário norte-americano.

Durigan também afirmou que a Fazenda tem mantido conversas com empresários de diversos setores, além do financeiro, para entender vulnerabilidades e ouvir preocupações do mercado produtivo. Segundo ele, o objetivo é monitorar as movimentações do governo Trump para proteger empresários, empregos e instituições financeiras do Brasil contra interferências externas.

“O que vier do exterior para colaborar no combate ao crime organizado, ótimo. A gente sempre acha bem-vindo. O que não pode é quando quer atrapalhar”, afirmou.

Além da pauta sobre os Estados Unidos, o encontro com Lula também serviu para tratar da agenda internacional de investimentos do Brasil. No fim deste mês, Durigan embarca para a China e o Japão, onde apresentará o programa Eco Invest Brasil, voltado à captação de recursos internacionais para investimentos sustentáveis no país, e buscará avanços na agenda econômica global.

A reunião também incluiu dados recentes sobre o Produto Interno Bruto (PIB), especialmente a formação bruta de capital fixo, principal indicador do investimento no país. A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre, e a formação bruta de capital fixo aumentou 3,5%.

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