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Economia

Lula critica corte modesto na Selic e cobra redução maior do BC

O presidente questionou a decisão do Banco Central de reduzir apenas 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, citando a guerra no Oriente Médio como justificativa para a cautela.

Redação Jornal de Brasília

19/03/2026 16h32

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou decepção com o corte de 0,25 ponto percentual na Taxa Selic, juros básicos da economia, realizado pelo Banco Central. Em evento do governo federal em São Paulo nesta quinta-feira (19), Lula afirmou que esperava uma redução maior, de pelo menos 0,5 ponto, e ironizou a influência da guerra no Oriente Médio na decisão. “Estou triste, porque eu esperava que o nosso Banco Central baixasse o juro pelo menos em 0,5%. E baixou só em 0,25, dizendo que é por causa da guerra. Essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível”, declarou.

A redução, aprovada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de quarta-feira (18), levou a Selic de 15% ao ano para 14,75%. Trata-se do primeiro corte em quase dois anos, após um período de elevações que levou a taxa ao maior nível desde julho de 2006. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa do mercado financeiro, conforme o boletim Focus, era de um corte de 0,5 ponto percentual.

Lula destacou os esforços do governo para impulsionar o crescimento econômico, gerar empregos e aumentar salários, apesar dos impactos negativos da Selic elevada, como a desaceleração da atividade econômica. “Nós estamos fazendo um sacrifício que vocês não têm noção. O sacrifício que nós estamos fazendo para fazer a economia crescer, para fazer a geração de emprego, para aumentar o salário das pessoas, vocês não têm noção”, acrescentou o presidente.

Na ata da reunião de janeiro, o Copom havia sinalizado o início de um ciclo de corte nos juros nesta semana, mas o comunicado divulgado na quarta-feira adotou tom mais cauteloso devido às incertezas globais provocadas pelo conflito. O Banco Central não descartou rever o ritmo de redução, se necessário. A Selic serve de referência para as demais taxas da economia e é o principal instrumento do BC para controlar a inflação.

Quanto à inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,7% em fevereiro, impulsionado por gastos com educação, mas o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. De acordo com o boletim Focus, a estimativa para a inflação em 2026 subiu de 3,8% para 4,1%, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, ficando próxima ao teto da meta de 3%, com tolerância de até 4,5%. O mercado prevê que a Selic encerre 2026 em 12,25% ao ano.

Com informações da Agência Brasil

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