ADRIANA FERNANDES, CAIO SPECHOTO E MARCOS HERMANSON
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou que os presidentes de bancos públicos federais destravem a concessão de crédito via Move Aplicativos, programa para compra de carros novos e seminovos voltado para motoristas.
No encontro, que também reuniu seis ministros no Palácio da Alvorada nesta terça-feira (28), Lula pediu aos presidentes da Caixa, Carlos Vieira, e do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, que acelerem a concessão dos R$ 30 bilhões prometidos a motoristas de aplicativo.
Como mostrou a Folha, motoristas de plataformas como Uber e 99 enfrentam dificuldade para acessar o programa. Eles relatam negativas na concessão do crédito e redução na pontuação do Serasa após múltiplas consultas em diferentes bancos.
Um auxiliar do presidente Lula presente na reunião desta terça-feira avalia que as cobranças do petista são naturais. Segundo ele, o modelo de empréstimo do Move Aplicativos é novo, e por isso exigiu ajustes dos bancos participantes.
Um dos entraves, segundo apurou a Folha, era o modelo de comprovação de renda utilizado pelos bancos, que agora está sendo revisado. Essa pessoa ouvida pela reportagem estima que, com as correções, os programas de crédito para compra de carros e motos vão alavancar a popularidade do presidente.
A área econômica repassou ao presidente sinais de que a linha para compra de motos, que começou nesta segunda-feira (27), está surpreendendo os bancos pelo volume de operações.
Em julho, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) divulgou ter emprestado R$ 1 bilhão em financiamentos no Move Motoristas, como mostrou a coluna Painel S.A., da Folha. Foram 9.908 profissionais contemplados, com tíquete médio de R$ 102 mil por veículo.
Considerando que o programa começou a rodar no dia 19 de junho, o valor emprestado até meados de julho representa cerca de 3% dos R$ 30 bilhões inicialmente prometidos.
A reunião no Alvorada nesta terça reuniu os ministros Bruno Moretti (Planejamento), Dario Durigan (Fazenda), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Márcio Elias Rosa (Indústria), Miriam Belchior (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação).
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloísio Mercadante, também compareceram.
“Já passaram quase dois meses e até agora o programa não atingiu nem 1% da classe dos motoristas de aplicativos”, diz Eduardo Lima, da Amasp (Associação dos Motoristas de Aplicativo de São Paulo), à reportagem.
Segundo o condutor, o programa tem contemplado apenas motoristas com boa pontuação de crédito, desvirtuando sua intenção original.
“Os motoristas que precisam são aqueles que se colocam à mercê de trabalhar com veículos alugados, pagando valores exorbitantes no aluguel, por terem restrição de crédito no nome”, diz Lima. A Amasp pediu uma reunião com o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), mas ainda não foi recebida, segundo ele.
O governo Lula lançou a linha Move Aplicativos no mês de maio, em evento com a presença de entregadores de aplicativo na Casa de Portugal, no bairro paulistano da Liberdade. Uma medida provisória disponibilizou R$ 30 bilhões para a linha, que é operada pelo BNDES e permite a aquisição de carros novos por motoristas de aplicativo e taxistas.
Em junho, Lula anunciou outra medida, desta vez com cerca de R$ 4 bilhões e voltada para a aquisição de motocicletas e bicicletas elétricas por entregadores.
As medidas se somam a um pacote de bondades lançado pelo governo em ano eleitoral. O conjunto de anúncios inclui crédito para compra de caminhões, maquinário agrícola e bens de capital verde, além de reforço no Minha Casa, Minha Vida e socorro para exportadores.